Cães conseguem farejar sinais do câncer de mama? Ciência investiga essa habilidade
- Redação Saúde Minuto
- 08/10/2026
- Saúde
Projeto brasileiro treina cães para reconhecer odores associados à doença em amostras de suor. Técnica é estudada como ferramenta complementar de triagem e não substitui mamografia ou diagnóstico médico
Quem convive com cachorro já percebeu: o nariz deles parece captar coisas que passam completamente despercebidas por nós. Mas essa capacidade pode ir muito além de descobrir onde está um petisco escondido. Pesquisadores estudam o uso do olfato canino para reconhecer alterações de odor associadas a algumas doenças, entre elas o câncer de mama.
É justamente essa a proposta do KDOG Brasil, projeto conduzido pela Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia (SFBO), com apoio da ROYAL CANIN®. A iniciativa reúne profissionais da saúde e especialistas em treinamento de cães para estudar a chamada odorologia canina aplicada à biodetecção.
Na prática, os animais são treinados para identificar odores associados a compostos orgânicos voláteis presentes em amostras de suor de mulheres.
E não, o cachorro não precisa cheirar diretamente a paciente.
Como funciona?
As mulheres utilizam compressas para a coleta de suor. Depois, essas amostras são apresentadas aos cães treinados, que fazem a análise pelo olfato.
De acordo com Leandro Lopes, cinotécnico responsável pelo projeto, os testes de validação científica realizados pela iniciativa vêm apresentando índices de precisão superiores a 90% na identificação das amostras relacionadas à doença.
Apesar dos resultados considerados promissores pelo projeto, é importante deixar uma coisa clara: o cachorro não dá diagnóstico de câncer.
A proposta é estudar a técnica como uma possível ferramenta complementar de triagem. A mamografia, os exames indicados pelo médico e, quando necessária, a biópsia continuam sendo fundamentais para investigar e confirmar o câncer de mama.
O que os cães conseguem sentir?
Tumores podem provocar alterações metabólicas no organismo. Algumas delas estão relacionadas à produção de compostos orgânicos voláteis, moléculas que podem estar presentes no suor e em outras amostras biológicas.
É aí que entra uma característica extraordinária dos cães: a capacidade de distinguir odores em concentrações que nós simplesmente não conseguimos perceber.
No KDOG Brasil, essa habilidade natural passa por treinamento específico para que os animais aprendam a diferenciar as amostras.
Para Leandro Lopes, a técnica também pode abrir novas possibilidades de pesquisa sobre formas simples e não invasivas de triagem.
“No Outubro Rosa, queremos chamar a atenção para as dificuldades que muitas mulheres enfrentam para chegar aos serviços de saúde. A técnica utilizada pelo KDOG Brasil busca contribuir para a medicina preventiva, para que uma suspeita possa ser investigada e cada paciente receba o acompanhamento necessário”, explica.
E como ficam os cães?
O trabalho também exige atenção ao bem-estar dos animais. Segundo o projeto, os cães seguem uma rotina que inclui alimentação individualizada, períodos de treinamento, descanso e recreação.
Além da pesquisa, o KDOG Brasil recebe estudantes de Medicina Veterinária e mantém parcerias com instituições para disseminar conhecimento sobre biodetecção e suas possíveis aplicações na saúde.
Em 2025, o projeto participou de eventos científicos e educativos no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, discutindo a identificação precoce do câncer de mama e o uso da odorologia canina.
A iniciativa integra os projetos sociais apoiados pela ROYAL CANIN® no Brasil. Para Carla Pistori, diretora de Assuntos Corporativos da empresa, pesquisas desse tipo ajudam a ampliar o conhecimento sobre as habilidades dos animais e suas possíveis contribuições para a saúde humana.
Ainda há muito a ser estudado antes que técnicas de biodetecção como essa possam ter uma aplicação mais ampla. Mas a pergunta que move esse campo da ciência é fascinante: até onde o nariz de um cachorro pode ajudar a medicina a enxergar o que nossos sentidos não conseguem perceber?

