Vitaminas e suplementos: você realmente precisa tomar?
- Redação Saúde Minuto
- 09/10/2026
- Saúde
Suplementos já estão presentes em 59% dos lares pesquisados no Brasil, mas tomar vitaminas, minerais e outros produtos sem saber se há necessidade pode trazer riscos à saúde
Eles estão na farmácia, no supermercado, na academia e tomaram conta das redes sociais. Tem suplemento para aumentar a disposição, melhorar o desempenho nos treinos, ganhar massa muscular, emagrecer e até aquele polivitamínico que muita gente toma todos os dias só para “garantir”.
Mas será que todo mundo precisa suplementar?
Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) identificou a presença de suplementos alimentares em 59% dos lares brasileiros consultados, com pelo menos uma pessoa consumindo esses produtos. Isso, porém, não significa que vitaminas e suplementos devam fazer parte da rotina de todo mundo.
“Para a maioria das pessoas, uma alimentação variada e equilibrada fornece os nutrientes necessários”, explica Débora de Narde, nutróloga e professora de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, cujo curso de Medicina integra a Inspirali.
A questão é que suplemento não é sinônimo de produto inofensivo. Antes de colocar um novo pote na rotina, é preciso entender o que o organismo realmente necessita.
Quando suplementar faz sentido?
Não existe uma resposta única. A necessidade depende da alimentação, da fase da vida, das condições de saúde e, em alguns casos, dos resultados de exames.
Há situações, inclusive, em que a suplementação pode ser recomendada antes mesmo de uma deficiência aparecer. É o caso do ácido fólico para mulheres que planejam engravidar.
“Nesse caso, a suplementação é recomendada antes mesmo da gestação porque ajuda a reduzir o risco de alterações no desenvolvimento do tubo neural do bebê”, explica Débora.
Por isso, a lógica não deveria ser “qual vitamina está na moda?”, mas “eu realmente preciso suplementar alguma coisa?”
Vitamina demais também pode fazer mal
A ideia de que “se é vitamina, não faz mal” merece atenção. A nutróloga recomenda cautela principalmente com suplementos utilizados em doses elevadas ou sem uma indicação clara, como as vitaminas A, D e E e o ferro.
“Embora sejam nutrientes importantes para o organismo, o excesso também pode fazer mal”, alerta.
Outro ponto de atenção são fórmulas que prometem resultados rápidos, especialmente aquelas voltadas para emagrecimento, energia ou ganho acelerado de massa muscular e que misturam muitos ingredientes em um único produto.
Também existe o risco de consumir o mesmo nutriente sem perceber. Alguém pode, por exemplo, tomar diariamente um polivitamínico e, ao mesmo tempo, outros suplementos que contenham algumas das mesmas vitaminas e minerais. No fim das contas, as doses vão se somando.
Dependendo da composição e da quantidade consumida, também podem ocorrer interações com medicamentos e efeitos indesejados.
“Quando vários suplementos são usados ao mesmo tempo, fica mais difícil saber o que realmente está fazendo efeito ou causando algum sintoma”, afirma a médica.
E whey e creatina?
Dois dos suplementos mais populares entre quem pratica atividade física também não precisam entrar automaticamente na rotina.
Segundo Débora, whey protein e creatina têm boa evidência científica e podem ser úteis em situações específicas. O whey pode ajudar, por exemplo, quem tem dificuldade para atingir suas necessidades de proteína pela alimentação, enquanto a creatina pode ser utilizada com objetivos relacionados à força e à massa muscular.
“Isso não significa, porém, que seu uso seja necessário para todos”, ressalta.
Ou seja: mesmo produtos bastante conhecidos e estudados precisam fazer sentido para aquela pessoa, sua alimentação, rotina e objetivos.
Antes de comprar, vale olhar para a sua rotina
Antes de começar a suplementar, a orientação é avaliar alimentação, atividade física, medicamentos e outros produtos já utilizados, além das condições de saúde e dos possíveis fatores de risco para deficiências nutricionais.
E não existe um “check-up de vitaminas” padrão que todo mundo precise fazer. Os exames, quando necessários, devem ser escolhidos de acordo com a avaliação individual.
Dose e duração do uso também importam. Suplementação não deveria significar comprar um produto e continuar tomando indefinidamente sem reavaliar a necessidade.
“Antes de pensar em qual suplemento comprar, o primeiro passo é entender se aquela pessoa realmente precisa dele”, conclui Débora.
Débora de Narde é nutróloga e professora de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi. O curso de Medicina da instituição integra a Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diferentes regiões do Brasil.

