Virginia Fonseca faz laser íntimo, e ginecologista explica quando o tratamento faz sentido para a saúde da mulher
- Redação Saúde Minuto
- 15/10/2026
- Bem-estar Saúde
Dra. Beatriz Tupinambá, referência em menopausa e longevidade feminina, esclarece as dúvidas mais comuns sobre o tema
A influenciadora e empresária Virgínia Fonseca, de 27 anos, fez recentemente uma sessão de laser íntimo. Ela contou que buscou o tratamento por causa de pequenos escapes de urina depois das três gestações.
O laser íntimo virou tendência entre mulheres jovens, mas é na menopausa que aparece uma das suas principais indicações como a síndrome geniturinária da menopausa. Causada pela queda do estrogênio, ela provoca ressecamento, ardor, dor na relação, escape de urina e infecções urinárias de repetição.
Segundo a The Menopause Society (antiga Sociedade Norte-Americana de Menopausa), a síndrome afeta entre 27% e 84% das mulheres na pós-menopausa. Mesmo assim, é pouco diagnosticada, porque muitas mulheres não associam os sintomas da menopausa e não sabem que existe tratamento.
“Com a chegada da menopausa, a pele da região fica mais fina, mais sensível, mais delicada. Aumenta a chance de infecção urinária, de candidíase de repetição, de perda urinária, de ressecamento e de dor na relação. Não é só uma questão de beleza. É uma questão de função”, revela a médica Beatriz Tupinambá.
A médica lembra que a forma como a sociedade enxerga a mulher madura também mudou. “Antigamente, a mulher de 50 anos era vista como uma idosa, e a vida sexual dela tinha acabado. Agora é o contrário, ela está no auge da vida sexual, e precisa que o corpo corresponda a esse sentimento’’, finaliza.
A indicação do laser, porém, depende de avaliação médica. Cada mulher tem um histórico, e o tratamento pode ser combinado com outras opções, como a terapia hormonal local.
Confira as dúvidas mais comuns das pacientes:
1 – Laser íntimo dói?
Por: Dra. Beatriz Tupinambá
R: A sensibilidade varia de mulher para mulher, depende do organismo de cada uma. Mas, hoje ele é feito com anestésico local, com aplicação de 20/30 minutos antes, justamente para ela não passar por nenhum tipo de dor. O processo todo é muito tranquilo. No pós, a mulher pode sentir um calor ou alguma sensibilidade, mas nada grave.
2 – Laser íntimo tem hormônio? Substitui a reposição?
Por: Dra. Beatriz Tupinambá:
O laser não tem hormônio. Inclusive, é recomendado para manter esse epitélio saudável e é ideal para quem não pode usar estrogênio, testosterona, entre outros. Ele tem uma ótima resposta e devolve a função desse órgão, que é a vagina. Não é só estético, não é bobagem, o tratamento devolve a função da vagina. É muito importante para quem fez quimioterapia ou radiotera
3- Laser íntimo funciona mesmo?
Por: Dra. Beatriz Tupinambá:
Sim, funciona e muito. Já existem vários estudos validando o tratamento, e mostrando bons resultados, além do que vemos na prática clínica, aqui dentro do consultório. O laser de CO2 melhora a flacidez, ajuda a recuperar a flora vaginal e ajuda a reduzir as infecções vaginais e urinárias de repetição. Também diminui a perda urinária, melhora a lubrificação, o tônus e a frouxidão, principalmente no pós-parto.
4- A infecção urinária de repetição pode ter relação com a menopausa, e o Laser pode ajudar?
Por: Dra. Beatriz Tupinambá
Sim, o laser pode ajudar muito. É uma tecnologia capaz de estimular a regeneração desse tecido. Ele aumenta a produção de colágeno, ajuda a recuperar a flora vaginal e deixa a mucosa mais espessa e saudável, mais próxima do que era antes. Com isso, melhora o ressecamento e a dor durante a relação sexual.
A infecção urinária de repetição é uma das principais características da síndrome geniturinária da menopausa. Isso acontece por causa da queda do estrogênio, que provoca uma atrofia urogenital, ou seja, um afinamento dos tecidos dessa região. Com isso, a flora vaginal muda e perde parte da sua proteção natural. Além disso, a uretra e a mucosa ficam mais finas e frágeis, o que facilita a migração das bactérias. Outra característica comum é o escape de xixi, que chamamos de incontinência urinária, também causada por esse afinamento. É uma das coisas mais negligenciadas, e que muitas vezes pode evoluir para quadros mais graves.
No caso da perda urinária, é importante investigar a fundo a causa. Às vezes, é necessário associar o laser ao hormônio local e à fisioterapia pélvica. Isso porque existem dois tipos de incontinência urinária bem diferentes, e um deles não tem relação direta com a síndrome geniturinária da menopausa.

