“Slugging” na pele oleosa: cuidado com essa trend
- Redação Saúde Minuto
- 02/10/2026
- Beleza
O “slugging” virou tendência desde que as redes sociais apelidaram de “lesma” (slug, em inglês) a técnica de hidratação profunda do rosto, que consiste em selar a pele com uma camada de produto emoliente ao final da noite, criando uma barreira que reduz a perda de água, protege contra agressores externos e pode modificar a penetração dos ativos aplicados anteriormente. A etapa é indicada, principalmente, para peles secas e ressecadas, mas será que isso significa que quem tem pele oleosa está fora dessa?
O princípio por trás do slugging é a oclusão. Ao formar uma película sobre a superfície da pele, o produto reduz a chamada perda transepidérmica de água, ou seja, diminui a quantidade de água que naturalmente evapora através da pele. Isso ajuda a preservar a hidratação e pode favorecer a recuperação da barreira cutânea.
O problema pode começar quando pessoas que têm pele com tendência a acne tentam a mesma rotina com o produto errado. A dermatologista Ana Luiza Barbosa esclarece a dúvida e explica que, ao cobrir a pele com um emoliente muito pesado, o excesso de oclusão pode não ser bem tolerado por algumas peles oleosas ou acneicas.
“Fórmulas muito pesadas ou inadequadas para aquele tipo de pele podem favorecer o acúmulo de sebo e células dentro do folículo, contribuindo para o aparecimento de comedões, os conhecidos cravos, e, em algumas pessoas, de lesões inflamatórias de acne”, explica a dermatologista.
Segundo a médica, pessoas com pele oleosa podem, sim, incluir essa prática no skincare, mas com cautela. Diferente da rotina de pessoas com pele seca, que podem tolerar uma oclusão maior, quem tem tendência a acne precisa de outro cuidado.
“Na pele oleosa, muitas vezes não é necessário reproduzir o slugging clássico que vemos nas redes sociais, com uma camada extremamente espessa e oclusiva. Podemos adaptar a técnica usando uma quantidade menor de um produto reparador adequado àquela pele. O objetivo não é deixar o rosto coberto por uma camada pesada, mas ajudar a reduzir a perda de água e favorecer a recuperação da barreira cutânea”, afirma a médica.
A escolha do produto, portanto, é fundamental. “Quem tem pele com tendência à acne deve priorizar formulações adequadas ao seu tipo de pele e que contribuam para a reparação da barreira cutânea sem acrescentar uma oclusão excessiva.
Ainda assim, muita gente é adepta da prática, principalmente no frio e para acordar com a pele com efeito ‘glass skin’. A médica e comunicadora Amanda Meirelles é uma delas. “Uso Cicalfate+ , como uma máscara facial à noite, com aplicação de uma camada bem generosa. Acordo com a pele muito mais hidratada e com aquele viço e a aparência descansada, sem sensação de peso ou de oleosidade. Faço pelo menos uma vez por semana e, quando estou fora da rotina, intensifico ainda mais o slugging”, conta Amanda.
De acordo com a Dra. Ana Luiza Barbosa, para complementar a técnica em peles acneicas, o ideal é manter uma rotina simples e adequada ao tipo de pele. A limpeza também tem um papel importante, mas sem a intenção de “retirar toda a oleosidade” da pele. “Uma limpeza muito agressiva pode comprometer ainda mais a barreira cutânea. Para a pele oleosa e sensível, o ideal é utilizar um produto de limpeza adequado, que remova impurezas e o excesso de oleosidade sem provocar aquela sensação de pele repuxando”, explica.
Texto por: Dra. Ana Luiza Barbosa – Dermatologista

