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Brigitte, de “Quem Ama Cuida”, vive para o amor. Mas quando amar demais pode se tornar um problema?
- Redação Saúde Minuto
- 29/06/2026
- Psiquiatra
Personagem de Tatá Werneck na novela da Globo levanta um debate sobre dependência emocional, medo da rejeição e autoestima
Se você está acompanhando “Quem Ama Cuida”, provavelmente já percebeu que Brigitte Brandão, personagem de Tatá Werneck, não faz nada pela metade quando o assunto é amor.
Ela se entrega rápido, cria expectativas, idealiza relacionamentos e coloca a vida amorosa no centro de tudo. Apesar do tom leve e divertido da trama, a personagem tem despertado uma reflexão importante entre os telespectadores: até que ponto amar intensamente é saudável?
Segundo a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani, comportamentos como os de Brigitte podem, em alguns casos, estar relacionados à dependência emocional, condição popularmente conhecida como “síndrome de amar demais”.
“Amar é uma experiência positiva e natural. O problema surge quando a felicidade, a autoestima e até o sentido da própria vida passam a depender exclusivamente da presença ou da aprovação de outra pessoa. Nesses casos, o relacionamento deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade emocional”, explica.
Quando o amor começa a machucar
Alguns sinais merecem atenção:
• Medo intenso de ficar sozinha;
• Sofrimento exagerado após rejeições ou términos;
• Necessidade constante de atenção e validação;
• Idealização rápida de parceiros;
• Ciúme excessivo e insegurança;
• Dificuldade de estabelecer limites;
• Permanência em relações que causam sofrimento por medo do abandono;
• Sensação de vazio quando não se está vivendo um relacionamento.
Para a especialista, esses padrões costumam estar ligados a experiências emocionais anteriores.
“Muitas pessoas carregam feridas relacionadas à rejeição, abandono ou baixa autoestima. Sem perceber, acabam buscando no parceiro um preenchimento emocional que precisa ser construído dentro de si mesmas”, afirma.
A armadilha de acreditar que alguém vai nos salvar
Outro comportamento bastante comum é acreditar que um relacionamento será capaz de resolver todos os problemas emocionais.
A expectativa de encontrar alguém que traga felicidade permanente costuma gerar cobranças, ansiedade e frustração.
“Quando alguém acredita que só será feliz ao lado de outra pessoa, cria uma pressão enorme sobre o relacionamento. Nenhum parceiro consegue ocupar esse papel de salvador emocional”, alerta a psiquiatra.
O impacto das redes sociais
As redes sociais também ajudam a alimentar a ideia de relacionamentos perfeitos.
Fotos românticas, declarações públicas e demonstrações constantes de afeto podem fazer muitas mulheres acreditarem que o amor verdadeiro precisa ser intenso o tempo todo.
“A comparação constante aumenta a ansiedade e reforça a busca por validação externa”, explica Dra. Maria Fernanda.
Amar sem se abandonar
Para a especialista, relacionamentos saudáveis são construídos quando existe troca, respeito, autonomia e individualidade.
Manter amizades, projetos pessoais, autoestima fortalecida e interesses próprios é fundamental para preservar a própria identidade.
“Relacionamentos saudáveis acontecem quando duas pessoas caminham juntas sem abrir mão de quem são. O amor deve acrescentar à vida, não substituir a própria identidade”, afirma.
Quando procurar ajuda?
Se seus relacionamentos são marcados por sofrimento recorrente, medo intenso da rejeição ou dependência emocional, buscar apoio psicológico ou psiquiátrico pode ser um passo importante.
Pedir ajuda não significa desistir do amor.
Significa aprender a construir relações mais conscientes, maduras e saudáveis.
Porque amar alguém é importante. Mas continuar sendo protagonista da própria vida também é.
Fonte: Dra. Maria Fernanda Caliani, psiquiatra.
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