Notificações do celular prejudicam o cérebro?
- Redação Saúde Minuto
- 15/08/2026
- Saúde
Você começa uma tarefa, o celular vibra, dá aquela olhadinha rápida e, quando percebe, já está respondendo mensagens, conferindo as redes sociais e nem lembra direito o que estava fazendo antes.
Se a cena parece familiar, você não está sozinho. Passamos o dia cercados por estímulos que disputam nossa atenção: WhatsApp, e-mails, vídeos, aplicativos, reuniões e uma lista de tarefas que parece nunca terminar. Para o cérebro, tantas interrupções têm um preço.
Segundo o neurocientista e hipnoterapeuta Renê Skaraboto, as notificações são particularmente eficientes em tirar nossa atenção do que estamos fazendo.
“O cérebro interpreta cada notificação como um sinal de urgência. Ele não diferencia se aquela vibração representa uma emergência real ou apenas uma mensagem qualquer. Esse estado constante de alerta reduz o foco, aumenta a ansiedade e dificulta a conclusão das tarefas”, explica.
A notificação chegou. O foco foi embora
O problema não é apenas o tempo gasto para conferir uma mensagem. Cada interrupção obriga o cérebro a desviar a atenção de uma atividade para outra e, depois, tentar voltar ao ponto em que estava.
Ao longo de um dia cheio de mensagens e alertas, essa troca constante pode aumentar a sensação de cansaço e dificultar tarefas que exigem concentração.
Não significa, claro, que seja preciso abandonar o celular. Uma saída é diminuir as interrupções. Silenciar notificações que não são importantes, ativar o modo foco e estabelecer determinados horários para conferir mensagens são estratégias simples para conseguir passar períodos maiores concentrado em uma única atividade.
Dormiu mal? A memória também sente
Não adianta tentar compensar uma noite ruim com mais café e força de vontade. O sono participa de processos fundamentais para o aprendizado e a consolidação da memória.
Skaraboto compara esse processo à organização de uma biblioteca.
“Durante o dia, os livros são retirados das prateleiras e ficam espalhados. É durante a noite que o ‘bibliotecário’ organiza tudo novamente. Um sono de qualidade melhora a memória, favorece a criatividade, equilibra as emoções e ajuda na tomada de decisões”, afirma.
Por isso, quando noites mal dormidas viram rotina, atenção, memória e desempenho durante o dia podem ser prejudicados.
E aquela voz que não sai da cabeça?
Outro ponto merece atenção: os pensamentos repetitivos. Ficar horas remoendo um problema, antecipando situações ruins ou repetindo mentalmente as mesmas preocupações pode alimentar um ciclo de estresse e ansiedade.
Mas isso não significa que basta “pensar positivo” para resolver tudo. A ideia é observar pensamentos automáticos e tentar substituir interpretações excessivamente negativas por avaliações mais realistas.
“O cérebro aprende com aquilo que repetimos diariamente”, diz Skaraboto.
Como dar um descanso para o cérebro?
Não existe botão para desligar a mente, mas algumas mudanças ajudam a reduzir a quantidade de estímulos ao longo do dia. Dormir o suficiente, diminuir notificações desnecessárias, fazer pausas, evitar alternar constantemente entre tarefas e reservar períodos longe das telas são bons pontos de partida.
E não é preciso mudar tudo de uma vez.
Em uma rotina em que estamos disponíveis praticamente 24 horas por dia, talvez uma das melhores coisas que podemos fazer pelo cérebro seja justamente o contrário: permitir que ele passe algum tempo sem precisar responder a nada.
Texto por: Renê Skaraboto, neurocientista e hipnoterapeuta

