Palpitação, coração acelerado ou batimentos “falhando”: conheça os principais tipos de arritmia cardíaca
- Redação Saúde Minuto
- 21/08/2026
- Cardiologia Saúde
Mais de 20 milhões de brasileiros convivem com arritmias cardíacas. A fibrilação atrial é a arritmia mais comum e pode aumentar em até quatro vezes o risco de AVC
Sentir o coração acelerar, perceber uma “falhada” no peito ou notar que os batimentos estão mais lentos do que o habitual nem sempre significa apenas ansiedade, cansaço ou estresse. Esses sinais podem estar relacionados às arritmias cardíacas, alterações que fazem o coração bater de maneira irregular, mais rápida ou mais lenta do que o esperado.
Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), mais de 20 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de arritmia cardíaca. A condição pode atingir pessoas de diferentes idades e, em alguns casos, permanecer silenciosa, sem sintomas aparentes.
Entre os principais tipos estão a fibrilação atrial, as taquicardias, as bradicardias e as extrassístoles. Embora tenham características diferentes, todas envolvem alterações no sistema elétrico responsável por coordenar os batimentos do coração.
“Existem diferentes tipos, com mecanismos, sintomas e riscos distintos. Por isso, é importante que a pessoa saiba reconhecer alterações no ritmo cardíaco e procure avaliação quando os sintomas são novos, frequentes ou intensos”, explica Dr. Cristiano Faria Pisani, cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).
Fibrilação atrial: quando o coração perde o ritmo
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica. As duas partes superiores do coração, chamadas átrios, passam a apresentar um ritmo desorganizado, fazendo com que os batimentos fiquem irregulares.
Um dos principais motivos de preocupação é a relação entre a fibrilação atrial e o acidente vascular cerebral (AVC). A alteração do ritmo pode favorecer a formação de coágulos no coração, que podem chegar à circulação cerebral e provocar um AVC. Segundo a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025, a fibrilação atrial aumenta, em média, quatro vezes o risco de AVC e também está associada a maior risco de insuficiência cardíaca e mortalidade.
A FA pode provocar palpitação, falta de ar, cansaço, tontura e dificuldade para fazer as atividades. Entretanto, algumas pessoas não apresentam sintomas, o que torna o diagnóstico ainda mais importante.
Taquicardia: quando o coração acelera demais
As taquicardias são caracterizadas por uma frequência cardíaca elevada. O coração naturalmente acelera durante exercícios físicos, situações de estresse ou emoções intensas. O problema aparece quando a aceleração é desproporcional à situação ou ocorre de forma inesperada, principalmente quando vem acompanhada de outros sintomas.
A pessoa pode sentir o coração disparar, palpitações, tontura, falta de ar, fraqueza, desconforto no peito e, em alguns casos, até desmaio.
“Uma das dúvidas mais comuns é se todo coração acelerado representa uma arritmia. Não. A frequência cardíaca aumenta normalmente em diversas situações. O que precisa investigar é uma aceleração inesperada, recorrente, muito intensa ou acompanhada de sintomas como tontura, desmaio, dor no peito ou falta de ar”, explica Dr. Cristiano Pisani.
Bradicardia: quando o coração bate devagar demais
As bradicardias são caracterizadas pela redução da frequência cardíaca. Em algumas pessoas, principalmente atletas e indivíduos durante o sono, uma frequência mais baixa pode ser normal. Por outro lado, quando o coração bate lentamente a ponto de comprometer o fornecimento adequado de sangue ao organismo, podem surgir sintomas como cansaço excessivo, tontura, fraqueza, falta de ar, confusão mental ou desmaios.
A avaliação médica é importante para determinar se a frequência reduzida é uma característica normal da pessoa ou se está relacionada a uma alteração no sistema elétrico do coração.
Extrassístoles: a sensação de que o coração “falhou”
As extrassístoles são batimentos que acontecem antes do momento esperado. Muitas pessoas descrevem a sensação como se o coração tivesse “falhado”, “parado por um segundo” ou dado uma batida mais forte.
Elas podem ocorrer mesmo em pessoas sem doença cardíaca e, em determinadas situações, estar relacionadas a fatores como estresse, privação de sono, consumo de estimulantes ou outras condições.
Apesar disso, a frequência e o contexto em que aparecem são importantes. Quando as palpitações são recorrentes, intensas ou acompanhadas de outros sintomas, é recomendável procurar avaliação médica.
Quando a palpitação deve ser investigada?
Nem toda alteração nos batimentos representa uma emergência, mas alguns sinais não devem ser ignorados. As pessoas com palpitações acompanhadas de dor ou pressão no peito, falta de ar importante, tontura intensa, desmaio ou mal-estar súbito precisam procurar por um médico.
O diagnóstico das arritmias pode ser realizado por meio do eletrocardiograma (ECG), além de alternativas de monitorar de forma prolongada, como o Holter, principalmente quando os sintomas acontecem de vez em quando e não são registrados durante uma consulta, por exemplo.
“É importante não tentar identificar sozinho qual é o tipo de arritmia apenas pela sensação dos batimentos. Sintomas semelhantes podem estar relacionados a alterações completamente diferentes. A investigação permite identificar o tipo de arritmia, avaliar seus riscos e definir se existe necessidade de tratamento”, afirma o cardiologista.
Para o especialista, conhecer os sinais é uma das principais formas de estimular o diagnóstico precoce. “Palpitação frequente, coração acelerado sem motivo aparente, batimentos muito lentos, tonturas ou episódios de desmaio são situações que merecem atenção. Quanto mais cedo identificamos uma alteração do ritmo cardíaco, maior é a possibilidade de orientar o paciente e evitar complicações”, conclui Dr. Cristiano Faria Pisani.
Texto por: Dr. Cristiano Faria Pisani, cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).

