PMMA ou ácido hialurônico? A diferença que você precisa saber antes de fazer um preenchimento
- Redação Saúde Minuto
- 10/09/2026
- Beleza Saúde
Os dois são usados para preencher e dar volume, mas estão longe de ser iguais. Um é temporário e pode ser dissolvido; o outro permanece no organismo e pode trazer complicações até anos depois.
Lábios mais volumosos, olheiras suavizadas, contorno facial definido, maçãs do rosto marcadas, glúteos com mais volume. Os preenchimentos conquistaram espaço na rotina de beleza, mas existe uma informação que deveria vir antes de qualquer aplicação: o que exatamente será colocado no seu corpo?
Ácido hialurônico e PMMA são materiais completamente diferentes. E entender essa diferença não é preciosismo. Pode fazer toda a diferença caso alguma coisa não saia como planejado.
Segundo a dermatologista Mayra Ianhez, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), antes de qualquer preenchimento é importante conhecer o produto, saber para que ele é autorizado e entender os possíveis riscos.
Ácido hialurônico e PMMA: qual é a diferença?
A principal diferença é relativamente simples.
O ácido hialurônico é temporário. O PMMA é permanente.
O ácido hialurônico é bastante utilizado para recuperar ou aumentar volume e melhorar determinados contornos. Dependendo do produto, pode ser aplicado em áreas como lábios, maçãs do rosto e olheiras, além de algumas regiões corporais quando houver indicação específica.
Com o passar do tempo, ele é degradado pelo organismo.
Há ainda uma espécie de “plano B”: em determinadas complicações, o médico pode utilizar hialuronidase, uma enzima capaz de degradar o ácido hialurônico injetado.
Com o PMMA, a história é diferente.
O polimetilmetacrilato é um preenchedor permanente. Isso significa que o organismo não simplesmente absorve o produto depois de alguns meses.
E é justamente essa permanência que exige atenção especial.
PMMA para aumentar o bumbum? Atenção
Embora tenha ficado conhecido por aplicações estéticas, especialmente para aumentar o volume dos glúteos, o uso do PMMA atualmente é bastante restrito no Brasil.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica chama atenção para as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
De acordo com a entidade, produtos regularizados pela Anvisa possuem indicações reparadoras específicas. O CFM, por sua vez, estabeleceu restrições ainda maiores para sua utilização por médicos.
Ou seja: PMMA não deve ser encarado simplesmente como mais uma opção para aumentar glúteos ou remodelar o corpo por razões estéticas.
O problema pode aparecer anos depois?
Pode.
Como o PMMA permanece no organismo, algumas complicações podem surgir muito tempo depois da aplicação.
Entre os problemas descritos estão dor, inchaço, vermelhidão, nódulos e inflamações recorrentes.
Em situações mais graves, podem ocorrer infecção, deformidades, necrose e até alterações que ultrapassam a região onde o produto foi aplicado.
“Quando falamos em materiais diferentes, não estamos tratando apenas de uma diferença de duração. O comportamento do produto e a resposta do organismo também precisam ser considerados”, explica Mayra.
E o que os rins têm a ver com o PMMA?
Parece uma relação improvável, mas existe uma complicação que merece atenção: a hipercalcemia, quando os níveis de cálcio no sangue ficam excessivamente elevados.
Em casos relacionados ao PMMA, esse aumento pode afetar os rins e estar associado a pedras, comprometimento da função renal e, nos quadros mais graves, insuficiência renal com necessidade de hemodiálise.
Segundo a especialista, casos de hipercalcemia e insuficiência renal têm sido observados inclusive quando o material foi aplicado em planos mais profundos, o que também pode tornar sua retirada cirúrgica mais difícil.
Pesquisas publicadas no Journal of the American Academy of Dermatology (JAAD) apontaram ainda uma associação entre grandes volumes de PMMA, especialmente acima de 100 mL, e maior risco de hipercalcemia e insuficiência renal, segundo a SBCD.
Se der problema, é só retirar?
Essa é outra questão importante.
Não necessariamente.
Como o PMMA é permanente e pode ficar integrado aos tecidos, sua retirada pode ser complexa e nem sempre é possível eliminar todo o produto.
A localização também importa. Dependendo de onde e como foi injetado, podem existir diferentes tipos de complicações.
Aplicações em planos inadequados podem provocar alterações de contorno e deixar o produto mais perceptível. Já a injeção em determinadas regiões e profundidades pode estar relacionada a eventos potencialmente muito graves, incluindo embolia pulmonar.
Então ácido hialurônico é 100% seguro?
Também não.
O fato de ser temporário e poder ser dissolvido em determinadas situações não significa que o ácido hialurônico esteja livre de riscos.
Inchaço, vermelhidão, dor e hematomas estão entre as intercorrências possíveis após um preenchimento.
O problema mais preocupante acontece quando o produto é acidentalmente injetado dentro de um vaso sanguíneo ou interfere no fluxo de sangue para determinado tecido.
Nesses casos, pode ocorrer isquemia, quando o tecido deixa de receber sangue adequadamente, e até necrose.
Em determinadas complicações vasculares relacionadas ao ácido hialurônico, a hialuronidase pode fazer parte do tratamento. Por isso, rapidez no diagnóstico e experiência do profissional são fundamentais.
Você sabe o que foi colocado no seu rosto?
Essa pergunta deveria ser feita antes, e não depois, do procedimento.
Não tenha vergonha de perguntar qual produto será utilizado. Peça para ver a embalagem e confira informações como nome comercial, fabricante, lote e validade.
Vale até fotografar a etiqueta.
É o seu rosto e o seu corpo. Saber o que está sendo aplicado não é exagero, é informação básica de segurança.
Fiz preenchimento e não sei o que tenho no rosto. E agora?
Isso acontece mais do que deveria.
Quando a mulher já realizou um procedimento e não sabe exatamente qual material foi aplicado, uma avaliação médica pode ajudar.
Em alguns casos, a ultrassonografia dermatológica feita por profissional experiente na avaliação de preenchedores consegue fornecer informações importantes sobre o material presente e sua localização.
Isso pode ser particularmente útil quando aparecem nódulos, inflamação, dor ou alterações no contorno.
Antes da seringa, faça estas perguntas
Mais importante do que escolher entre “mais volume” ou “mais definição” é saber quem fará o procedimento e com qual produto.
Pergunte qual substância será aplicada, se ela tem registro na Anvisa para aquela finalidade, quais são os riscos, o que pode ser feito caso ocorra uma complicação e se o médico tem experiência com o procedimento.
A SBCD também recomenda verificar se o profissional possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE), que comprova sua especialidade médica.
A consulta pode ser feita pelo nome do profissional no Busca por médicos do Conselho Federal de Medicina.
Porque, quando falamos em preenchimento, o resultado bonito importa. Mas saber exatamente o que está entrando no seu corpo importa muito mais.
Texto por: Dra. Mayra Ianhez,dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD)

