Brasil perde Wesley e acumula desfalques por lesão na Copa de 2026
- Nicolle Morrér
- 11/06/2026
- Saúde
Rodrygo, Éder Militão e Estêvão também estão entre os desfalques da Seleção Brasileira na Copa de 2026 por lesões. O ortopedista e médico do esporte Dr. Daniel Edde explica os diagnósticos e os impactos físicos e técnicos da equipe.
A Copa do Mundo de 2026 começou com um desafio para a Seleção Brasileira antes mesmo da estreia. Alguns dos jogadores que faziam parte dos planos da comissão técnica acabaram fora do torneio após sofrerem lesões em momentos decisivos da temporada.
Entre os desfalques estão Rodrygo, Éder Militão, Wesley e Estêvão. Apesar dos diagnósticos diferentes, os casos ajudam a explicar um fenômeno cada vez mais comum no futebol de alto rendimento: o aumento das lesões em um esporte marcado por intensidade física crescente e calendários cada vez mais apertados.
Segundo o ortopedista esportivo Dr. Daniel Edde, todas as lesões estão ligadas a situações de alta exigência física, como arrancadas, mudanças bruscas de direção, contato entre jogadores e sobrecarga muscular.
“Falamos de trauma direto, entorses em alta velocidade ou sobrecarga muscular explosiva. O futebol de hoje cobra muito do corpo. É giro, arrancada, frenagem brusca e contato físico em sequência.”
As lesões que tiraram jogadores da Copa
O caso mais grave foi o de Rodrygo. O atacante sofreu uma lesão no joelho com ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) associada a lesão no menisco, comprometendo a estabilidade da articulação e exigindo um longo período de recuperação, além de possível intervenção cirúrgica.
Éder Militão, por sua vez, sofreu uma lesão muscular no bíceps femoral da perna esquerda, problema que afeta diretamente explosão, velocidade e mudanças de direção, exigindo recuperação cuidadosa para evitar recidivas.
Já Estêvão teve uma lesão grau 4 no posterior da coxa direita, considerada grave, com comprometimento importante da musculatura e tempo de recuperação prolongado, afastando o jogador dos gramados em um momento decisivo da temporada.
Wesley sofreu uma lesão grau 3 no músculo adutor da coxa, condição que compromete movimentos de explosão, aceleração e mudança de direção, limitando significativamente o desempenho físico do atleta.
De acordo com o Dr. Daniel Edde, as lesões musculares costumam apresentar recuperação mais previsível, enquanto lesões ligamentares no joelho, como a ruptura do LCA associada ao menisco, representam um dos maiores desafios da medicina esportiva.
“Não é apenas o ligamento cicatrizar. O atleta precisa recuperar força, estabilidade, coordenação e confiança para voltar a competir em alto nível.”
O que explica o aumento das lesões no futebol?
Para especialistas, o aumento do número de lesões está diretamente ligado à carga física imposta aos atletas. Atualmente, muitos jogadores disputam mais de 70 partidas por temporada, além de enfrentarem viagens frequentes e pouco tempo para recuperação.
“Com o cansaço acumulado, o controle do movimento piora e aumenta o risco de lesão. O corpo não consegue se recuperar na mesma velocidade em que é exigido.”
Segundo o médico, programas de prevenção, fortalecimento muscular e monitoramento de carga ajudam a reduzir riscos, mas nem sempre conseguem evitar lesões. Isso porque muitas delas acontecem durante movimentos naturais do jogo, especialmente em ações de alta velocidade.
O cenário ajuda a explicar por que, apesar dos avanços da medicina esportiva, o número de afastamentos continua elevado. Hoje os diagnósticos são mais rápidos e os tratamentos mais eficientes, mas a exigência física também cresceu significativamente.
As sequelas e o caminho de volta aos gramados
A recuperação de uma lesão não termina necessariamente quando o jogador recebe alta médica. Dependendo do caso, os efeitos podem acompanhar o atleta por toda a carreira.
Segundo o Dr. Daniel Edde, uma ruptura do ligamento cruzado anterior aumenta o risco de artrose no futuro e pode favorecer novas lesões. Já problemas musculares mal recuperados podem criar áreas mais vulneráveis a novos rompimentos.
“O corpo começa a compensar e isso pode sobrecarregar outras estruturas. Por isso o trabalho depois da lesão continua durante toda a carreira do atleta.”
O especialista cita Neymar como exemplo de que é possível voltar ao alto nível mesmo após uma lesão grave no joelho. Para ele, o sucesso da recuperação depende não apenas do tratamento físico, mas também da capacidade de respeitar cada etapa do processo.
“Lesão grave testa o físico e o psicológico todos os dias. Quem não pula etapas tem muito mais chances de voltar bem.”
Além do impacto médico, os desfalques tiveram consequências diretas para a Seleção Brasileira. Rodrygo e Estêvão eram vistos como peças importantes para o ataque, Militão era uma referência defensiva e Wesley ampliava as opções para a lateral direita.
Os casos mostram que uma lesão não afeta apenas a carreira de um atleta. Em uma competição do tamanho da Copa do Mundo, ela também pode alterar o planejamento de toda uma seleção.
Entre calendários apertados, exigência física crescente e pouco tempo de recuperação, o desafio do futebol atual continua sendo encontrar o equilíbrio entre desempenho e saúde dos jogadores.
Texto por: Nicolle Morrér