Pessoas magras podem ter gordura no fígado? Sim, e isso pode ser perigoso
- Redação Saúde Minuto
- 14/08/2026
- Saúde
Quando se fala em gordura no fígado, muita gente logo pensa em excesso de peso. Mas aqui vai uma informação que pode surpreender: uma pessoa magra também pode ter esteatose hepática.
E esse desconhecimento não é pequeno. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada em parceria com a Novo Nordisk, mostrou que 62% dos brasileiros temem ter gordura no fígado, mas 60% não sabem qual exame é usado para investigar o problema. Apenas 20% estão familiarizados com o termo “esteatose hepática”.
A explicação é que a balança, sozinha, diz pouco sobre o que está acontecendo dentro do organismo.
“O peso é apenas um dos fatores envolvidos. O que realmente importa é a saúde metabólica. Uma pessoa pode ter um IMC normal e, ainda assim, apresentar aumento de gordura visceral, resistência à insulina, predisposição genética, alterações da microbiota intestinal ou hábitos de vida que favorecem o acúmulo de gordura no fígado”, explica a hepatologista Patrícia Almeida, da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP.
Em resumo: ser magro não é sinônimo de estar metabolicamente saudável.
O fígado também sente os hábitos
Mesmo sem quilos extras, alguns hábitos podem favorecer o acúmulo de gordura no fígado. Entram nessa lista uma alimentação com excesso de ultraprocessados, bebidas açucaradas e frutose, além de sedentarismo, pouca massa muscular, noites mal dormidas, estresse crônico e consumo frequente de bebidas alcoólicas.
O problema é que o fígado não costuma avisar que algo vai mal.
A esteatose hepática geralmente evolui de forma silenciosa. Dor na região do fígado, por exemplo, não é um sinal comum nas fases iniciais. Quando surgem sintomas, eles podem ser pouco específicos, como cansaço e indisposição. Em muitos casos, a alteração acaba aparecendo por acaso em exames de rotina.
“Esperar sintomas para investigar não é uma boa estratégia. O fígado não enxerga apenas o peso. Ele responde ao conjunto dos nossos hábitos, da nossa genética e da nossa saúde metabólica”, alerta Patrícia.
Sou magro. Preciso investigar?
Não significa que toda pessoa magra precise sair correndo para fazer exames. Mas vale conversar com o médico quando existem outros fatores de risco, como diabetes ou pré-diabetes, colesterol ou triglicérides elevados, hipertensão, histórico familiar de doença hepática, alterações das enzimas do fígado ou algum achado suspeito em exames de imagem.
A investigação pode envolver avaliação clínica, exames de sangue e métodos de imagem. O ultrassom é um dos recursos utilizados, e exames como a elastografia hepática podem ajudar a avaliar alterações no fígado, incluindo a presença de fibrose.
E dá para melhorar?
Em muitos casos, mudanças no estilo de vida têm papel importante no controle da gordura no fígado. E, para quem tem peso normal, o objetivo não é necessariamente emagrecer.
A estratégia passa por melhorar a saúde metabólica: priorizar alimentos in natura, reduzir o consumo de açúcares e ultraprocessados, praticar atividade física regularmente, preservar ou aumentar a massa muscular, dormir bem e moderar o consumo de álcool.
Texto por: Dra. Patrícia Almeida, da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP.

