Xarope para tosse funciona? Especialista explica por que ele nem sempre é a melhor opção para crianças
- Redação Saúde Minuto
- 15/08/2026
- Kids Saúde
Poucas coisas preocupam tanto os pais quanto uma criança tossindo, principalmente durante a noite. O impulso de recorrer a um xarope para aliviar o sintoma é comum, mas essa nem sempre é a melhor escolha. Segundo especialistas, a maioria desses medicamentos tem eficácia limitada na infância e, em alguns casos, pode causar efeitos colaterais importantes.
De acordo com a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a tosse não é uma doença, mas um mecanismo natural de defesa do organismo para eliminar secreções e proteger as vias respiratórias.
Nem toda tosse vem do pulmão
Ao contrário do que muita gente imagina, grande parte da tosse persistente nas crianças começa no nariz. Rinite, resfriados e o chamado gotejamento pós-nasal — quando o muco escorre para a garganta — estão entre as causas mais frequentes.
Além disso, depois de uma infecção viral, é normal que a mucosa continue sensível por algum tempo. Nesses casos, a chamada tosse pós-infecciosa pode durar entre duas e quatro semanas sem indicar uma complicação.
Xarope nem sempre resolve
Na tentativa de aliviar o desconforto e garantir uma boa noite de sono, muitas famílias recorrem aos xaropes para tosse. Mas a médica faz um alerta: as principais sociedades médicas recomendam cautela com esses medicamentos na infância.
“A tosse costuma preocupar porque atrapalha o sono da criança e de toda a família. No entanto, hoje sabemos que a maioria dos xaropes apresenta eficácia muito limitada ou inexistente em crianças e ainda pode provocar efeitos adversos, como sonolência excessiva, agitação e até intoxicações quando usados de forma inadequada. O mais importante é descobrir a causa da tosse e tratá-la corretamente”, explica a Dra. Roberta.
O que realmente ajuda?
Na maioria das vezes, medidas simples são suficientes para aliviar o desconforto enquanto o organismo se recupera.
Entre as principais recomendações da especialista estão:
- Lavar o nariz com soro fisiológico para desobstruir as vias aéreas.
- Manter a criança bem hidratada.
- Evitar fumaça de cigarro e outros irritantes no ambiente.
- Oferecer mel para crianças com mais de 1 ano, já que há evidências de que ele pode aliviar a tosse noturna.
“Não existe um xarope capaz de curar a tosse. Em muitos casos, o melhor tratamento é oferecer conforto e acompanhar a evolução. Mais importante do que contar quantas vezes a criança tosse é observar como ela está entre os episódios: se continua brincando, se alimenta bem e mantém o comportamento habitual”, orienta.
Quando a tosse merece atenção?
Embora geralmente seja passageira, alguns sinais indicam que a criança deve ser avaliada por um médico.
Procure atendimento se ela apresentar:
- Falta de ar ou respiração acelerada.
- Afundamento das costelas ao respirar.
- Chiado intenso no peito.
- Lábios arroxeados.
- Febre alta persistente.
- Sonolência excessiva ou prostração.
- Dificuldade para comer ou beber líquidos.
- Tosse que dura mais de quatro semanas.
- Episódios frequentes de engasgo.
Segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), entender a causa da tosse é muito mais importante do que tentar interrompê-la. Na maioria das situações, o sintoma faz parte da recuperação natural da criança e pode ser tratado com medidas simples, seguras e orientadas pelo pediatra ou pelo otorrinolaringologista.
Texto por: Dra. Roberta Pilla

