CFM aprova uso do plasma rico em plaquetas para tratar condições ósseas, musculares e articulares
- Redação Saúde Minuto
- 13/08/2026
- Saúde
Técnica usada por atletas como Neymar e Gabriel Jesus deixa de ser experimental e passa a integrar o tratamento de osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite e lesões de menisco no Brasil
O Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou, em 15 de julho, o uso do plasma rico em plaquetas (PRP) para o tratamento de quatro condições ortopédicas: osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral do cotovelo e reparo meniscal. Com a mudança, a técnica deixa de ser classificada como experimental e passa a ser reconhecida oficialmente pela medicina brasileira.
A resolução acompanha países onde o procedimento já era liberado. O astro do basquete Kobe Bryant tratou uma lesão no joelho na Alemanha em 2013 com uma técnica semelhante ao PRP. O tenista Rafael Nadal também passou pelo tratamento antes de vencer o campeonato US Open em 2017. Os jogadores de futebol Neymar Jr. e Gabriel Jesus passaram pela mesma experiência na Espanha.
Para o ortopedista Dr. Leonardo Zanesco, especialista em ombro e cotovelo, a decisão do CFM representa um avanço positivo respaldado por evidências. Segundo ele, a escolha das quatro condições não foi aleatória: “São todas condições degenerativas, ligadas ao desgaste. Todas elas também têm ciência sólida por trás. Outras provavelmente também se beneficiam, mas ainda faltam estudos para podermos afirmar.”
O que é o PRP e como ele age
O plasma corresponde a cerca de 55% do volume total do sangue e funciona como meio de transporte para células, nutrientes, hormônios e resíduos. O PRP é obtido a partir da centrifugação de uma amostra de sangue do próprio paciente, processo que concentra as plaquetas — fragmentos celulares produzidos pela medula óssea e responsáveis pela coagulação.
De acordo com o Dr. Leonardo Zanesco, o PRP concentra essas plaquetas e as entrega diretamente no local da lesão, atuando em duas frentes: estímulo à regeneração do tecido e controle da inflamação na região.
Essa ação é respaldada por evidência científica recente. O estudo “Platelet-Rich Plasma (PRP): Molecular Mechanisms, Actions and Clinical Applications in Human Body”, publicado em novembro de 2025 na revista International Journal of Molecular Sciences, mostrou que o PRP reduz citocinas inflamatórias como IL-1β e TNF-α, aliviando a dor e preservando a cartilagem.
Quem pode fazer o tratamento
Nem todo paciente com as quatro condições contempladas poderá aderir ao PRP. Segundo o CFM, a indicação exige diagnóstico prévio, avaliação clínica individualizada, correlação com exames complementares, exclusão de contraindicações e definição clara dos objetivos terapêuticos para cada caso.
A recomendação está alinhada a diretrizes internacionais: um guia publicado em maio de 2026 pela Academia Americana de Medicina Física e Reabilitação (AAPM&R) indica o PRP para pacientes que continuam sintomáticos mesmo após o tratamento convencional.
Como é feito o tratamento
Pelas regras aprovadas pelo CFM, a amostra de PRP deve ser retirada do próprio paciente e aplicada em ambiente compatível com a complexidade do procedimento — consultório ou hospital, conforme o caso.
O CFM reforça que o PRP não deve ser encarado como terapia isolada, mas como coadjuvante das terapias principais. “A fisioterapia ou a cirurgia são os pilares do tratamento. O PRP não substitui nenhum dos dois, ele é um estímulo biológico que potencializa o resultado”, explica o Dr. Leonardo Zanesco.
Segundo o especialista, o PRP pode ser aplicado em qualquer fase do tratamento, embora os estudos atuais se concentrem no uso pós-cirúrgico. Já há pesquisas, no entanto, avaliando o benefício de aplicá-lo antes da cirurgia.
Na prática clínica, o uso mais comum hoje é como complemento à fisioterapia: “A fisioterapia corrige a mecânica do movimento e o PRP entra com o estímulo biológico à cicatrização”, completa.
Riscos e cuidados
Apesar da segurança e eficácia comprovadas, o PRP não está livre de riscos. Segundo o Dr. Leonardo Zanesco, o efeito adverso mais comum é uma piora temporária da dor nos primeiros dias, que se resolve espontaneamente. Há também risco de infecção — presente em qualquer infiltração — e riscos ligados à técnica: quando mal executado, o procedimento pode agravar a lesão ou danificar estruturas saudáveis.
Por isso, o médico reforça a importância de escolher um profissional experiente. “O risco mais relevante do PRP não é do produto em si, é da técnica. Nas mãos erradas, uma aplicação mal feita pode agravar a lesão. Por isso importa quem aplica.”
Texto por: Dr. Leonardo Zanesco – Ortopedista

