Setembro Amarelo: Como identificar a depressão e como a acupuntura pode ajudar?
- Redação Saúde Minuto
- 22/09/2026
- Saúde
Cansaço constante, falta de vontade, isolamento e perda do prazer em atividades que antes faziam sentido. Quando esses sinais se tornam frequentes e persistentes, podem indicar algo além de uma fase difícil: a depressão. No Setembro Amarelo, a discussão sobre saúde mental ganha ainda mais espaço e reforça a importância de reconhecer os sinais e buscar ajuda.
A depressão, precisa ficar claro, é um diagnóstico médico e não um sintoma, ou seja algo que se sente ou se experimenta. Os sintomas relacionados aos diagnósticos de depressão são variados e somente o médico está capacitado a dar o diagnóstico.
Temos uma tendência a associar depressão com tristeza, apatia, inapetência, mas sintomas como agitação ou inquietude, irritabilidade, compulsão alimentar ou alteração dos hábitos de sono, também podem estar relacionados aos diagnósticos de depressão.
Os diagnósticos de depressão não têm como causa única eventos como perda de familiares, rompimento de relacionamento amoroso, perda de condição social ou de trabalho. Pré condições individuais também podem tornar os indivíduos mais propensos a episódios ou transtornos depressivos. A grande maioria dos quadros demenciais causados por degeneração do sistema nervoso central, começam a se manifestar com sintomas e sinais relacionados aos diagnósticos de depressão. Além desses o uso de alguns medicamentos podem desencadear sintomas relacionados à depressão, por isso sempre que for. Indicado um tratamento médico de qualquer especialidade é sempre importante informar se já teve sintomas relacionados à depressão, para que o médico assistente evite a prescrição desses medicamentos.
Em termos estatísticos os diagnósticos de depressão estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Dados da Previdência Social mostram que, em 2025, mais de 126 mil afastamentos foram registrados por episódios depressivos. O levantamento faz parte de um cenário mais amplo de crescimento dos problemas de saúde mental entre trabalhadores.
Como saber quando algo não vai bem?
Nem sempre a pessoa consegue ter consciência de que pode estar sofrendo por depressão, e com isso não busca ajuda medica adequada, tal condição pode agravar o quadro e conduzir a desfechos mais drásticos como acidentes ou mesmo suicídio.
Nesse sentido é importante a avaliação de parentes ou amigos que podem apontar mudanças no comportamento que sugerem que algo não vai bem. Infelizmente na maioria das vezes esses alertas são entendidos como inadequados e, não raro, maldosos.
Nesse sentido a interferência de familiares significativos, que possam tomar atitude pelo paciente é fundamental para uma assistência mais rápida e efetiva.
E a acupuntura, pode ajudar?
A acupuntura pode ser usada no tratamento da depressão. A terapêutica enquanto tratamento único ou associado ao farmacológico deve sempre estar assentada nos diagnósticos de depressão realizados por médico psiquiatra. O tratamento de um episódio depressivo leve não é o mesmo de um transtorno depressivo com sintomas psicóticos.
Segundo o Dr. Luiz Sampaio, psiquiatra, acupunturiatra e presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA), o tratamento pode ajudar em sintomas como alterações no sono, no humor e na disposição, mas nunca deve ser utilizada, pura e simplesmente, como alternativa a quem não quer se valer do tratamento farmacológico ou psicoterápico.
O objetivo não é substituir automaticamente o acompanhamento com psicólogo ou psiquiatra. Independente do caso, a acupuntura deve ser usada junto com outros tratamentos, num critério multimodal.
Falar também é uma forma de cuidar
O Setembro Amarelo reforça uma mensagem simples, mas importante: ninguém precisa passar por um momento difícil sozinho.
Ouvir sem julgar, estar atento a mudanças no comportamento e aceitar a ajuda especializada pode fazer diferença. Se você ou alguém próximo estiver passando por um sofrimento intenso, procure um profissional de saúde ou um serviço de apoio.
Texto por: Dr. Luiz Sampaio, psiquiatra, acupunturiatra e presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

