Nem toda crise epiléptica é convulsão. Entenda o que é epilepsia de verdade
- Redação Saúde Minuto
- 05/03/2026
- Neurologia Saúde
Quando se fala em epilepsia, muita gente pensa automaticamente em convulsão. Mas a realidade é mais ampla e mais comum do que parece.
A epilepsia é uma das doenças neurológicas mais frequentes no mundo. Já fez parte da vida de nomes históricos como Van Gogh e Machado de Assis e também de personalidades atuais, como o rapper Lil Wayne. Ainda assim, muita gente não entende exatamente o que ela é.
Segundo o neurologista Dr. Fabrício Hampshire, da Casa de Saúde São José, a epilepsia é uma doença crônica do sistema nervoso central que pode aparecer em qualquer idade, mas é mais comum na infância e na terceira idade. “Ela se manifesta por meio de crises agudas, e os sintomas variam conforme a área do cérebro afetada”, explica o médico.
O que acontece no cérebro?
De forma simples, a epilepsia acontece quando há descargas elétricas anormais nos neurônios. É como se o cérebro sofresse um curto circuito momentâneo, interrompendo a comunicação normal entre as células. Essas alterações podem ter várias causas, como sequelas de AVC, tumores, traumatismo craniano, infecções como meningite e até fatores genéticos. E aqui vai um ponto importante: convulsão é apenas um dos tipos de crise epiléptica.
Então, o que é convulsão?
A convulsão mais conhecida é a chamada crise tônico clônica. Nela, a pessoa pode perder a consciência, ficar com o corpo rígido e apresentar movimentos involuntários rítmicos. Geralmente dura poucos minutos. “Popularmente, quando se fala em epilepsia, as pessoas pensam nesse tipo de crise. Mas existem muitas outras formas de manifestação”, esclarece o Dr. Fabrício. Inclusive, uma pessoa pode ter uma convulsão isolada na vida e não necessariamente ter epilepsia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 5% da população mundial terá ao menos uma crise epiléptica ao longo da vida.
Nem toda crise é igual
Algumas crises podem ser bem menos dramáticas do que se imagina. Existem crises focais, que atingem apenas uma área do cérebro. Nesse caso, a pessoa pode apresentar apenas um olhar fixo, confusão mental, movimentos repetitivos automáticos ou comportamentos estranhos por alguns segundos. Já as crises generalizadas envolvem os dois lados do cérebro e têm maior chance de provocar perda de consciência. Por isso, nem toda crise epiléptica envolve queda no chão ou movimentos intensos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito pelo neurologista, com base na história clínica, exame físico e exames como ressonância magnética e eletroencefalograma. “O tratamento é feito principalmente com medicamentos anticonvulsivantes, que ajudam a prevenir novas crises. Mas cada caso precisa ser avaliado individualmente”, reforça o Dr. Fabrício Hampshire.
E se eu presenciar uma crise?
É possível que qualquer pessoa ao seu lado tenha uma crise epiléptica, mesmo sem diagnóstico prévio. Por isso, saber agir faz diferença. A principal orientação é manter a calma. A maioria das crises dura poucos minutos e termina sozinha. Coloque a pessoa de lado, para evitar que secreções prejudiquem a respiração. Afaste objetos ao redor que possam causar ferimentos. Não tente segurar a língua e nunca coloque a mão dentro da boca da pessoa. Pode assustar, mas informação é o melhor antídoto contra o medo. Entender que epilepsia vai muito além da convulsão é o primeiro passo.
Texto por: Dr. Fabrício Hampshire