Demência frontotemporal: o que é, como ocorre, sintomas e meios de tratamentos
- Redação Saúde Minuto
- 24/08/2023
- Neurologia Saúde Video
“A Demência de Frontotemporal é uma forma de demência de inicio precoce, costuma a cometer por volta da quinta ou sexta década de vida, mas podem acometer até mesmo a partir da segunda década de vida. Saiba mais com o Neurologista, Dr. Roberto Carneiro sobre como ocorre, sintomas e tratamentos!”
Dr. Roberto Carneiro:
A demência de início temporal é uma forma de demência de início precoce que costuma afetar indivíduos por volta da quinta ou sexta década de vida, mas pode ocorrer até mesmo a partir da segunda década.
Existem diferentes doenças associadas a essa demência. Existe a demência temporal comportamental e a variante comportamental. Temos a demência progressiva primária, que possui a forma não fluente e a forma semântica, que na realidade são todas doenças distintas. Elas possuem evolução e substrato neuropatológico diferentes.
A forma comportamental é a mais frequente. Ela costuma se manifestar principalmente por alterações de comportamento, como apatia e desinibição, muito mais do que alterações cognitivas inicialmente. Normalmente, as pessoas começam a apresentar comportamentos anormais, atípicos e muitas vezes com grande oralidade, falando coisas indevidas em momentos inadequados ou realizando atos inadequados. É como se não tivessem muita autocrítica. Cerca de 10 a 20% dos pacientes com a variante comportamental apresentam esse tipo de comportamento. Muitas vezes, essa evolução está associada a uma doença do neurônio motor, algo como a esclerose lateral amiotrófica, o que normalmente acelera o tempo de doença e piora o prognóstico do paciente.
Nas avaliações neuropsicológicas, esses pacientes se saem relativamente bem nas funções executivas. O prejuízo maior ocorre quando avaliamos a empatia ou em testes nos quais começamos a observar alterações no comportamento do paciente. Os exames de imagem mostram atrofia, geralmente inicialmente unilateral e depois bilateral, na região frontal. Existem testes genéticos e outros exames de imagem, como o PET neurológico, que podem auxiliar no diagnóstico da demência progressiva primária. Nessa condição, o prejuízo é predominantemente da linguagem, com relativa preservação inicial das funções cognitivas.
Na verdade, existem três tipos: a forma não fluente, a forma semântica e a forma logopênica. As duas primeiras fazem parte da demência temporal, enquanto a última é uma variante da doença de Alzheimer. Na forma não fluente, há dificuldade do paciente em articular palavras e promover a linguagem de forma fluida. Na forma semântica, a dificuldade predominante é na compreensão de algumas palavras, como se o paciente não conseguisse entender adequadamente o idioma. A forma logopênica se caracteriza por uma progressiva pobreza do vocabulário. Como mencionado anteriormente, essa forma frequentemente está associada à doença de Alzheimer.
Há também algumas síndromes motoras associadas à demência temporal, sendo as três principais as seguintes: Doença do neurônio motor, como a esclerose lateral amiotrófica, que resulta em uma perda progressiva dos movimentos e pode levar até mesmo à dificuldade de deglutição e respiração. Síndrome corticobasal, que envolve manifestações motoras como mioclonias e distonia, lembrando o quadro de Parkinson. Síndrome do membro alienígena, na qual o paciente tem dificuldade em reconhecer um membro, como um braço ou perna, como sendo seu. Além disso, há a manifestação de paralisia do plano nuclear progressiva, uma forma de parkinsonismo atípico que também está associada ao quadro demencial, apresentando alterações motoras, como posturas de cabeça, tiques locais e outras modificações.