ALERTA: exame de sangue que promete detectar câncer de mama preocupa médicos
- Redação Saúde Minuto
- 13/05/2026
- Saúde saúde da mulher
Teste vendido como alternativa “mais simples” para descobrir câncer de mama preocupa especialistas e pode até afastar mulheres da mamografia
Fazer um exame de sangue e descobrir precocemente um câncer de mama parece algo revolucionário. A promessa é tentadora e vem ganhando espaço nas redes sociais, em campanhas publicitárias e até em reportagens. Mas o que parece avanço pode esconder um problema sério.
A Sociedade Brasileira de Mastologia faz um alerta importante: atualmente, não existe exame de sangue validado cientificamente para detectar precocemente o câncer de mama.
Os chamados “testes genéticos” ou “biópsias líquidas” prometem identificar sinais tumorais por meio de uma simples coleta de sangue, muitas vezes sem necessidade de pedido médico. O problema é que, segundo especialistas, esses métodos ainda não têm comprovação científica suficiente para substituir os exames tradicionais.
“Na realidade, não existem exames de sangue validados pela prática médica e por verificação científica como métodos de detecção precoce da doença”, afirma Guilherme Novita, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia.
E o alerta não é pequeno.
O maior medo das entidades médicas é que mulheres passem a acreditar que estão protegidas apenas porque fizeram um desses testes. Isso pode gerar uma falsa sensação de segurança e diminuir a procura pela mamografia, exame que realmente salva vidas.
Hoje, a mamografia continua sendo o único método comprovadamente eficaz para reduzir mortes por câncer de mama.
Os números ajudam a explicar a preocupação. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar mais de 78 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028.
Quanto mais cedo o tumor é descoberto, maiores são as chances de cura e menores tendem a ser os impactos do tratamento.
De acordo com Guilherme Novita, quando o câncer é identificado precocemente pela mamografia, muitas pacientes conseguem evitar tratamentos agressivos, como quimioterapia, além de terem maiores chances de realizar cirurgias menos invasivas e preservar a mama.
Desde o ano passado, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação da mamografia regular para mulheres a partir dos 40 anos.
Para os especialistas, o recado é direto: antes de apostar em testes que viralizam na internet, o mais seguro é seguir o que já foi comprovado pela ciência.
“Diante de tantos benefícios, ao invés de recorrer a testes sem validação, é fundamental que as mulheres consultem um mastologista e sigam realizando a mamografia de forma frequente e regular”, reforça Guilherme Novita, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia.
Texto por: Dr. Guilherme Novita