Ferida na boca que não cicatriza pode ser câncer. E muita gente ignora
- Redação Saúde Minuto
- 18/05/2026
- Oncologia Saúde
Aquela feridinha na boca que insiste em não melhorar pode parecer só uma afta chata. Mas especialistas fazem um alerta importante: quando uma lesão demora mais de 15 dias para cicatrizar, ela precisa ser investigada.
O motivo preocupa. O câncer de boca e orofaringe está entre os tumores mais comuns no Brasil e vem mudando de perfil. Se antes a doença aparecia principalmente em pessoas mais velhas e fumantes, agora médicos observam um aumento de casos em pacientes jovens e até não fumantes.
Segundo o oncologista Dr. Fernando Zamprogno e Silva, da Kora Saúde, um dos principais responsáveis por essa mudança é o HPV.
“Estamos observando um crescimento de casos ligados à infecção pelo HPV, principalmente em pacientes mais jovens. O vírus pode ficar silencioso durante anos, mas é um importante agente cancerígeno para a região da boca e garganta”, explica.
Isso não significa que cigarro e álcool deixaram de ser perigosos. Muito pelo contrário.
A combinação dos dois continua sendo uma das mais agressivas para a saúde da boca. O álcool facilita a entrada das substâncias tóxicas do cigarro nas células da mucosa, aumentando muito o risco de desenvolver a doença.
E o grande problema é justamente o silêncio dos sintomas.
O câncer de boca costuma ser indolor no início. Por isso, muita gente demora para procurar ajuda e acaba recebendo o diagnóstico em fases mais avançadas.
Segundo o especialista, alguns sinais precisam ligar o alerta imediatamente:
Feridas na boca, língua ou gengiva que não cicatrizam em até 15 dias
Manchas brancas ou avermelhadas na boca
Caroços no pescoço
Áreas endurecidas nos lábios ou na língua
Dor para mastigar ou engolir
Sensação de algo preso na garganta
Rouquidão persistente
“O câncer de boca muitas vezes começa como uma pequena ferida sem dor. Isso faz muita gente ignorar os sintomas e atrasar o diagnóstico”, alerta o médico.
A boa notícia é que, quando descoberto cedo, o câncer de boca tem altas chances de cura. Em muitos casos, o tratamento pode ser menos agressivo e preservar funções importantes como fala e alimentação.
Por isso, o recado dos especialistas é simples: olhar para a própria boca também é uma forma de autocuidado.
Fazer acompanhamento com dentista, observar mudanças na língua, gengiva e garganta e procurar avaliação médica diante de qualquer alteração persistente pode fazer toda a diferença.
“O câncer de boca é silencioso, mas extremamente tratável quando diagnosticado precocemente”, reforça Dr. Fernando Zamprogno e Silva.
Texto por: Dr. Fernando Zamprogno e Silva