Engasgos em idosos: alerta para familiares e cuidadores
- Redação Saúde Minuto
- 01/06/2026
- Geriatria Saúde
Quando um idoso começa a engasgar com frequência durante as refeições, muita gente acha que isso faz parte do envelhecimento. Mas não é bem assim. Dificuldade para mastigar ou engolir pode aumentar o risco de desnutrição, pneumonia por aspiração e até internações.
Por isso, alguns cuidados simples no dia a dia fazem toda a diferença para tornar a alimentação mais segura.
A postura é um dos pontos mais importantes. O ideal é que o idoso esteja sentado, com a coluna ereta, cabeça alinhada e pés apoiados no chão ou nos pedais da cadeira. Também é importante não oferecer alimentos ou medicações quando a pessoa estiver deitada, muito sonolenta ou com dificuldade de manter a atenção durante a refeição.
Depois de comer, outro detalhe importante: o idoso deve permanecer sentado ou com o tronco elevado por cerca de 30 a 45 minutos. Isso ajuda a reduzir o risco de refluxo e broncoaspiração.
A consistência dos alimentos também merece atenção. Em idosos com dificuldade para engolir, líquidos muito fluidos podem aumentar o risco de aspiração. Nesses casos, o uso de espessantes pode ser recomendado por médicos ou fonoaudiólogos para deixar líquidos como água, chá e sucos mais seguros para a deglutição.
Também vale evitar alimentos que misturam líquido e sólido, como sopas com pedaços, além de itens secos e esfarelentos, como bolachas secas e farofas, que podem facilitar engasgos.
“O mais indicado é que o idoso que apresenta engasgos passe por uma avaliação fonoaudiológica para definir se tem ou não disfagia e definir a consistência da alimentação e dos líquidos visando reduzir episódios de broncoaspirações e suas consequências “ destaca a geriatra Dra. Daniela Gomez
Na hora da refeição, o ambiente também interfere bastante. O ideal é evitar distrações, conversas excessivas, televisão ligada ou risadas enquanto o idoso mastiga e engole. “Comer devagar e respeitar o tempo da pessoa é essencial” afirma a geriatra
Outra orientação importante é oferecer pequenas porções por vez e esperar que o alimento seja completamente engolido antes da próxima colherada.
Especialistas também alertam para o hábito de usar líquidos para “empurrar” a comida. Em pessoas com disfagia, isso pode aumentar o risco de engasgos e aspiração.
A saúde bucal é outro fator que impacta diretamente a alimentação. Próteses mal ajustadas, dores na boca ou ausência de dentes dificultam a mastigação correta. Por isso, manter próteses limpas e bem encaixadas é fundamental.
A boca seca também pode atrapalhar bastante a deglutição, inclusive em idosos que usam muitos medicamentos, já que vários remédios reduzem a produção de saliva. Oferecer líquidos ao longo do dia e manter acompanhamento profissional ajuda a minimizar esse problema.
Mais do que conforto, adaptar a alimentação do idoso é uma medida importante de segurança e qualidade de vida.
Texto por: Dra. Daniela Gomez