Dia Mundial Sem Tabaco: cigarro sobrecarrega o coração e aumenta risco de infarto e AVC
- Redação Saúde Minuto
- 31/05/2026
- Cardiologia Saúde
O tabaco é considerado a principal causa de morte evitável do mundo e provoca mais de 8 milhões de mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o tabagismo é responsável por cerca de 161 mil mortes anuais, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer.
Além de estar associado a doenças respiratórias e diferentes tipos de câncer, o tabagismo também é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. O Dr. Marcio Sousa – Cardiologista e Chefe da Seção de Hipertensão Arterial, Tabagismo e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia explica os impactos do cigarro na saúde do coração e faz um alerta sobre os riscos da prática.
As substâncias presentes no tabaco sobrecarregam o coração
O cigarro é composto por mais de 9 mil substâncias químicas. Dessas, cerca de 250 são consideradas tóxicas, entre elas nicotina, monóxido de carbono e alcatrão. “A nicotina ativa o sistema nervoso simpático, liberando adrenalina e elevando a pressão arterial e os batimentos cardíacos. Além disso, as toxinas presentes no cigarro lesionam o revestimento interno das artérias, favorecendo inflamações, acúmulo de gordura e a formação de placas. Essas placas podem se romper, gerar coágulos e bloquear artérias do coração, causando infarto. Quando atingem as artérias cerebrais, podem provocar AVC”, explica o especialista.
“O monóxido de carbono presente no cigarro compete com o oxigênio no sangue. Com menos oxigênio chegando ao coração, músculos e cérebro, o organismo precisa compensar esse déficit. Como consequência, o coração passa a bater mais rápido e com mais força, aumentando sua sobrecarga”, alerta o Dr. Marcio Sousa – Cardiologista e Chefe da Seção de Hipertensão Arterial, Tabagismo e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
Fumantes passivos também estão expostos a riscos cardíacos
Os problemas causados pelo cigarro não afetam apenas quem fuma. Pessoas expostas à fumaça do tabaco também estão sujeitas a riscos importantes à saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a exposição passiva à fumaça do tabaco causa cerca de 1,6 milhão de mortes prematuras por ano no mundo. Os impactos cardiovasculares são semelhantes aos observados no tabagismo ativo, incluindo aumento da pressão arterial, inflamação das artérias e maior risco de infarto e AVC.
Vape não é inofensivo e preocupa especialistas
Mesmo sem autorização para venda no país, os vapes continuam circulando amplamente e preocupam especialistas pelo aumento do consumo entre adolescentes. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE) mostram que a experimentação de vape entre jovens de 13 a 17 anos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.
“Os vapes não queimam tabaco, mas isso não significa que sejam seguros. Esses dispositivos contêm altas doses de nicotina, além de solventes aquecidos, metais pesados e compostos voláteis que podem causar inflamação vascular e disfunção endotelial. Estudos já apontam associação com aumento da pressão arterial, arritmias e danos pulmonares importantes, incluindo casos mais precoces de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), como bronquite crônica e enfisema”, alerta o cardiologista.
Parar de fumar continua sendo a medida mais eficaz de prevenção
De acordo com o especialista, não existe quantidade segura para o consumo de cigarros por dia. Desde as primeiras tragadas, o organismo já sofre os efeitos do tabaco. Parar de fumar é a única forma de reduzir o risco de mortes por doenças cardiovasculares relacionadas à prática. Os benefícios da interrupção do cigarro começam rapidamente: cerca de 20 minutos após o último cigarro, a pressão arterial e os batimentos cardíacos já começam a retornar aos níveis normais. Nas horas e semanas seguintes, a oxigenação e a circulação sanguínea também melhoram progressivamente, reduzindo a sobrecarga sobre o coração. Após um ano sem fumar, o risco de doenças coronarianas cai pela metade. Em cerca de 12 anos, o risco de sofrer infarto pode se aproximar ao de uma pessoa que nunca fumou.
O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), hospital público de referência em cardiologia ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, oferece acompanhamento especializado para pacientes que desejam abandonar o cigarro, com suporte multiprofissional e tratamento voltado à cessação do tabagismo e à recuperação da saúde cardiovascular
Texto por: Dr. Marcio Sousa