Vitiligo não é contagioso e vai muito além da pele
- Redação Saúde Minuto
- 25/06/2026
- Saúde Vitiligo
As manchas brancas na pele costumam ser a parte mais visível do vitiligo. Mas quem convive com a doença sabe que os impactos podem ir muito além da aparência. Ansiedade, insegurança, isolamento social e baixa autoestima fazem parte da rotina de muitos pacientes.
Neste 25 de junho, quando é celebrado o Dia Mundial do Vitiligo, especialistas reforçam a importância de combater a desinformação e o preconceito que ainda cercam a condição.
Segundo a dermatologista Dra. Ariane Maywald, professora do curso de Medicina da Universidade de Franca (Unifran), um dos maiores desafios continua sendo derrubar mitos.
“O vitiligo não é contagioso. A pessoa não transmite a doença por toque, abraço, compartilhamento de objetos ou qualquer forma de convivência”, explica.
O vitiligo é uma doença autoimune. Isso significa que o próprio sistema imunológico passa a atacar os melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, pigmento que dá cor à pele. Como consequência, surgem manchas brancas em diferentes regiões do corpo.
O peso emocional das manchas
Embora não provoque dor física na maioria dos casos, o impacto emocional pode ser significativo.
Muitas pessoas relatam constrangimento, medo dos olhares, dificuldades de relacionamento e até sintomas de ansiedade e depressão, especialmente quando as manchas aparecem em áreas mais visíveis, como rosto, mãos e braços.
Para a especialista, o tratamento precisa ir além da pele.
“O valor de uma pessoa não está na cor da sua pele. Cuidar do vitiligo também significa cuidar da autoestima e da saúde mental”, afirma.
Por isso, em muitos casos, o acompanhamento psicológico pode fazer parte do tratamento.
Tratamentos evoluíram muito nos últimos anos
Outro mito bastante comum é acreditar que não existe tratamento para o vitiligo. A realidade hoje é bem diferente.
Atualmente, os dermatologistas contam com diversas opções para controlar a doença e estimular a recuperação da pigmentação da pele. Entre elas estão medicamentos tópicos, fototerapia com luz ultravioleta e terapias imunológicas.
Uma das novidades que mais têm chamado a atenção da comunidade médica são os chamados inibidores da via JAK, medicamentos que atuam diretamente nos mecanismos imunológicos envolvidos no surgimento das manchas.
Segundo a médica, os resultados têm sido promissores, especialmente quando esses medicamentos são combinados com sessões de fototerapia.
Além disso, novas abordagens de medicina regenerativa também vêm sendo estudadas e podem ampliar ainda mais as possibilidades terapêuticas nos próximos anos.
Quanto antes o diagnóstico, melhor
A especialista alerta que procurar ajuda médica logo nos primeiros sinais faz diferença.
“O diagnóstico precoce aumenta as chances de controlar a doença e recuperar a pigmentação da pele antes que ocorra uma perda mais extensa dos melanócitos”, explica.
Por isso, qualquer alteração suspeita deve ser avaliada por um dermatologista.
Informação também é tratamento
Para a dermatologista, combater o preconceito é tão importante quanto avançar nos tratamentos.
“O vitiligo não diminui a capacidade, o talento ou o potencial de ninguém. Informação, empatia e respeito são fundamentais para que as pessoas convivam com a doença sem sofrer discriminação”, conclui.
Texto por: Dra. Ariane Maywald