O ketchup pode parecer inofensivo. Mas será que ele é um bom companheiro para quem tem diabetes?
- Redação Saúde Minuto
- 11/08/2026
- Nutrição Saúde
Ele está na batata frita, no hambúrguer, no cachorro-quente e até no arroz com feijão. Presente na mesa de milhões de brasileiros, o ketchup costuma ser visto apenas como um molho de tomate. Mas basta olhar o rótulo para descobrir que ele vai muito além disso. Dependendo da marca, o produto pode concentrar açúcar, sódio, conservantes e corantes em quantidades que merecem atenção, principalmente para quem vive com diabetes.
Ao contrário do que muita gente imagina, o ketchup industrializado não é feito apenas de tomates. A base da receita costuma incluir polpa ou concentrado de tomate, água, vinagre, açúcar, sal e especiarias. Para garantir estabilidade, sabor, cor e maior tempo de prateleira, muitas versões também recebem espessantes, acidulantes, aromatizantes, conservantes e corantes.
O açúcar é um dos ingredientes que mais preocupam. Em muitas marcas, ele aparece entre os primeiros itens da lista de ingredientes, o que significa que está presente em quantidade significativa. Uma colher de sopa de ketchup pode conter entre 3 e 5 gramas de açúcar, o equivalente a quase uma colher de chá. Parece pouco, mas o consumo repetido ao longo do dia pode aumentar a ingestão total de açúcares livres, especialmente quando o molho acompanha alimentos ultraprocessados.
Para quem tem diabetes, isso faz diferença. Embora a quantidade usada em uma refeição normalmente seja pequena, o ketchup possui açúcares de rápida absorção que podem contribuir para picos de glicemia quando consumidos em excesso ou junto com refeições ricas em carboidratos refinados.
Outro ponto de atenção é o sódio. Uma única colher de sopa pode fornecer entre 150 e 200 mg de sódio, valor que rapidamente se acumula quando o molho é usado em grandes quantidades. Como pessoas com diabetes apresentam maior risco de hipertensão e doenças cardiovasculares, controlar o consumo de sódio também faz parte dos cuidados com a saúde.
Os conservantes costumam gerar dúvidas. Entre os mais utilizados estão o sorbato de potássio e o benzoato de sódio, substâncias aprovadas pelas agências reguladoras para uso em alimentos dentro dos limites estabelecidos. Até o momento, não há evidências de que representem risco para a população quando consumidos nas quantidades permitidas. O problema, na prática, é o consumo frequente de diversos alimentos ultraprocessados que contêm esses aditivos.
Os corantes também merecem atenção. Muitas marcas utilizam corantes naturais, como extrato de páprica ou licopeno, pigmento presente no próprio tomate. Outras recorrem ao corante caramelo, principalmente para padronizar a aparência do produto. Embora autorizado para uso, especialistas recomendam que alimentos ricos em aditivos sejam consumidos com moderação, especialmente quando fazem parte da alimentação diária.
Isso significa que pessoas com diabetes precisam eliminar o ketchup? Não necessariamente. O segredo está na quantidade e na escolha do produto. Existem versões com redução de açúcar e de sódio, além de receitas sem adição de açúcares, que podem ser alternativas mais interessantes. Ainda assim, é importante lembrar que “zero açúcar” não significa automaticamente um alimento saudável, já que ele pode continuar apresentando altos teores de sódio ou conter outros aditivos.
“Para quem vive com diabetes, o segredo da alimentação não é a privação severa, mas o conhecimento do que se coloca no prato. O ketchup industrializado tradicional costuma combinar açúcares livres e alto teor de sódio, uma combinação perigosa para quem precisa controlar a glicemia e a pressão arterial. Na hora de escolher, o consumidor deve olhar atentamente a lista de ingredientes: priorize versões zero açúcar adicionado, com menor teor de sódio e lista de aditivos enxuta. Assim, é possível aproveitar o sabor na refeição com total segurança e sem sobressaltos na glicose.” — Geovana Orlando, nutricionista da Lightsweet, detentora das marcas Lowçucar e Magro.
Na hora da compra, vale a pena dedicar alguns segundos à leitura do rótulo. Quanto menor a lista de ingredientes e menor a quantidade de açúcar e sódio, melhor. E, sempre que possível, preparar um molho de tomate caseiro temperado com ervas, alho e especiarias continua sendo a opção mais nutritiva.
No fim das contas, o ketchup não é um vilão, mas também está longe de ser apenas tomate espremido na garrafa. Para quem tem diabetes, conhecer sua composição é uma forma simples de fazer escolhas mais conscientes, sem abrir mão do sabor.
Texto por: Nutricionista Geovana Orlando