Tosse persistente pode ser câncer de pulmão? Saiba quando desconfiar
- Redação Saúde Minuto
- 19/08/2026
- Saúde
Uma tosse que não vai embora. Um cansaço diferente para subir as escadas. Uma rouquidão que insiste em ficar. Ou aquela infecção respiratória que melhora e, pouco tempo depois, parece voltar.
Na maioria das vezes, sintomas assim têm explicações muito mais simples. O problema é quando persistem, mudam de padrão ou aparecem acompanhados de outros sinais. Nesses casos, vale investigar.
Isso porque o câncer de pulmão tem uma característica traiçoeira: nas fases iniciais, pode não provocar sintomas claros.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 35.380 novos casos por ano de câncer de traqueia, brônquios e pulmão entre 2026 e 2028. Em 2024, mais de 32 mil brasileiros morreram em decorrência da doença.
Tosse: quando ela merece atenção?
Não é qualquer tosse que deve despertar preocupação.
O alerta está principalmente naquela que persiste por semanas ou muda de característica, sobretudo quando vem acompanhada de falta de ar, dor no peito, rouquidão ou sangue no escarro.
“Um dos grandes desafios do câncer de pulmão é justamente o fato de que ele pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando os sinais aparecem, muitas vezes são confundidos com problemas respiratórios comuns”, explica o oncologista Dr. Mário Vilâny (CRM-CE 13129 | RQE 8441), da Kora Saúde.
Por isso, segundo o especialista, mudanças persistentes não devem ser ignoradas, especialmente por pessoas que apresentam fatores de risco.
Nunca fumou? O risco não é zero
Essa é uma das ideias mais importantes para desconstruir.
Câncer de pulmão não é uma doença exclusiva de fumantes.
O tabagismo é, de longe, seu principal fator de risco e está relacionado à grande maioria dos casos. Mas pessoas que nunca colocaram um cigarro na boca também podem receber o diagnóstico.
Exposição à fumaça de outras pessoas, poluição do ar, radônio, determinadas substâncias presentes no ambiente de trabalho e fatores genéticos também podem estar envolvidos.
“É importante desconstruir a ideia de que somente quem fuma pode desenvolver câncer de pulmão”, diz Dr. Mário. “Existem pacientes que nunca fumaram e recebem esse diagnóstico.”
Isso não significa que fumantes e não fumantes tenham o mesmo risco. O cigarro continua sendo o grande vilão. A mensagem é outra: não ter fumado não é motivo para ignorar sintomas persistentes.
Hoje, não basta saber onde está o tumor
O tratamento do câncer de pulmão mudou bastante nos últimos anos.
Depois que uma lesão suspeita é encontrada, geralmente por exames de imagem como a tomografia, uma biópsia pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de tumor.
E a investigação pode ir além.
Em determinados casos, o material retirado na biópsia é submetido a testes que procuram biomarcadores e alterações moleculares específicas do câncer.
É como conhecer a “identidade” daquele tumor.
“Hoje, não olhamos apenas para o local onde o tumor está ou para o tamanho da lesão. Em muitos casos, precisamos entender também as características biológicas e moleculares daquele câncer”, explica o oncologista.
Essas informações podem ajudar a definir se o paciente é candidato a tratamentos como terapias-alvo ou imunoterapia, além das opções já conhecidas, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
Na prática, duas pessoas com câncer de pulmão podem receber estratégias bastante diferentes de tratamento.
Descobrir cedo faz diferença
Esse continua sendo um dos grandes desafios.
Quando o câncer de pulmão é descoberto ainda localizado, as possibilidades de tratamento com intenção curativa são maiores. Já em estágios avançados, o tratamento tende a ser mais complexo.
O problema é que, justamente por poder crescer silenciosamente, muitos tumores só são descobertos mais tarde.
Para determinados grupos de maior risco, especialmente pessoas com histórico importante de tabagismo, existe ainda a possibilidade de rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose. A indicação depende de critérios específicos e deve ser discutida com o médico.
E tem como prevenir?
A medida mais importante continua sendo bastante conhecida: não fumar ou parar de fumar.
E abandonar o cigarro vale a pena mesmo para quem fuma há muitos anos. O organismo começa a colher benefícios após a interrupção e o risco de várias doenças diminui progressivamente.
Evitar o tabagismo passivo e reduzir a exposição a substâncias cancerígenas no ambiente de trabalho também fazem parte da prevenção.
Mas existe um último recado que vale para fumantes, ex-fumantes e também para quem nunca fumou:
se uma tosse mudou, não passa ou está acompanhada de outros sintomas, não tente apenas se acostumar com ela. Vale descobrir por que ela continua ali.
Texto por: Dr. Mário Vilâny

