Queda de cabelo: conheça as principais causas desse problema
- Redação Saúde Minuto
- 28/08/2023
- Saúde
Não é balela e nem exagero: a queda de cabelo afeta significativamente a vida de homens e mulheres. Ansiedade, isolamento social, depressão e auto confiança reduzida…Esses são alguns dos impactos que a queda de cabelo pode trazer. O cabelo é considerado uma parte importante da aparência física e da identidade pessoal e, para muitos, vê-los despencando é sinônimo de desespero, além de servir de gatilho para diversos desequilíbrios emocionais.
Se você perde cerca de 100 fios ao dia e os fios perdidos são substituídos por outros de mesma qualidade, não há motivos para preocupação. No entanto, se a queda se acentuar e a velocidade de reposição for menor do que a da perda dos fios, a luz de emergência se acende e as causas precisam ser investigadas para que o tratamento adequado seja planejado e iniciado o quanto antes. Saber exatamente porque os seus cabelos caem não é uma tarefa tão simples, pois diversos são os motivos que podem levá-los ao chão:
1. Predisposição Genética:
Algumas pessoas nascem com maior sensibilidade dos folículos capilares aos hormônios sexuais, especialmente a dihidrotestosterona (DHT), um derivado da testosterona. O principal efeito que a DHT pode trazer é o encurtamento da fase de crescimento do cabelo (fase anágena) e prolongamento da fase de repouso (fase telógena), resultando em fios mais finos e fracos e levando à queda de cabelo que, nesse cenário de hereditariedade, é chamada de alopecia androgenética. Nos homens, a alopecia androgenética geralmente se manifesta como uma diminuição gradual do cabelo nas regiões da coroa e das têmporas, formando uma área calva no topo da cabeça. Já nas mulheres, ocorre um afinamento difuso dos cabelos por todo o couro cabeludo.
2. Desequilíbrios Hormonais:
No hipotireoidismo, por exemplo, ocorre diminuição da taxa metabólica, diminuindo a velocidade do crescimento do cabelo. Já no hipertireoidismo, ocorre aceleração do metabolismo, resultando em queda capilar. Um outro exemplo muito comum de queda capilar acontece com as mulheres durante o período pós parto. A queda abrupta dos níveis hormonais nesse período favorece a queda de cabelo. Este quadro, chamado de eflúvio telógeno, costuma ser temporário e tão logo o equilíbrio hormonal seja restabelecido, o ciclo capilar volta aos padrões normais.
3. Estresse e Privação de Sono:
Já ouviu falar no “sono da beleza”? Pois bem, é uma grande verdade! Dormir bem é vital para reestruturar nosso corpo, melhorar a disposição, memória e nosso sistema imunológico. Uma boa noite de sono auxilia até mesmo no gerenciamento do peso. Por outro lado, insônia, hipersonia, cochilos durante o dia e falta de rotina com o sono podem trazer consequências à saúde capilar, visíveis em um curto espaço de tempo.
O hormônio do crescimento (GH) é responsável por promover a renovação das nossas células e a síntese protéica (queratina) e o melhor horário para seu funcionamento é enquanto dormimos, devido à queda da nossa temperatura corporal. Além desse hormônio, existe um outro muito importante que também é modulado pela qualidade do sono: o cortisol. Esse é o famoso hormônio do estresse, responsável direto pela formação dos radicais livres, que por sua vez alteram a velocidade e duração das fases do ciclo capilar. O resultado de várias
noites mal dormidas é o desequilíbrio entre esses hormônios, podendo levar à queda de cabelo, crescimento lento e desequilíbrios no couro cabeludo. Vale lembrar que a qualidade
do sono é mais importante do que a quantidade de horas dormidas.
4. Dieta Pobre em Nutrientes:
O estado nutricional é de extrema relevância para a saúde capilar. Vitaminas, especialmente as do complexo B, aminoácidos, em especial a cisteína e a cistina, e os minerais, como o ferro, o zinco, o cobre e o silício estão entre os protagonistas para ter cabelos saudáveis e bonitos por mais tempo. O silício é o arquiteto da derme e funciona como matéria prima para formação do colágeno e queratina. Vários estudos têm demonstrado que a ausência do silício no corpo humano acelera o envelhecimento (inclusive o capilar) e que sua reposição pode ter efeitos visíveis na pele, no cabelo e nas unhas.
5. Doenças Autoimunes:
Existem muitas doenças autoimunes que podem afetar a saúde e o cabelo de várias maneiras. Alopecia areata, tireoidite de Hashimoto, lúpus, psoríase, doença de Crohn e artrite reumatóide são alguns exemplos dessas condições de difícil gerenciamento. Doenças autoimunes são complexas e normalmente afetam a saúde de quem as tem de várias maneiras. Apesar de desafiadoras, muitas são tratáveis através de um olhar profissional integrativo e holístico do paciente.
6. Químicas e Uso Excessivo ou Inadequado de Produtos Químicos:
Procedimentos químicos como escovas progressivas, alisamentos e colorações afetam a saúde do couro cabeludo e ainda podem ter efeito sistêmico, já que o couro cabeludo é uma estrutura extremamente vascularizada e pode ser uma porta de entrada para que substâncias tóxicas caiam na corrente sanguínea, gerando reações alérgicas. O uso frequente de produtos como géis, mousses e sprays em excesso pode acumular-se no cabelo, tornando-o mais pesado e propenso à quebra. Além do exagero de produtos, outros fatores podem propiciar a queda e/ou quebra dos fios: uso excessivo de ferramentas de calor, uso frequente de penteados apertados, frequência errada da lavagem dos cabelos e exposição constante ao sol.
7. COVID-19:
Entre os principais fatores para a queda de cabelo pós-Covid está a limitação do aporte de nutrientes para cabelos e unhas. Durante o curso da doença, o corpo permanece focado no combate ao vírus, limitando a quantidade de vitaminas e minerais para os cabelos e as unhas. Uma outra hipótese é de que a doença causa um estado inflamatório intenso, com elevado teor de estresse oxidativo e produção de radicais livres.
Esse quadro é mais comum em mulheres, costuma ser temporário e dura cerca de seis meses pós-infecção. Frente à tantas razões que influenciam e determinam a saúde capilar, não há como negar que usar produtos capilares de qualidade, manter uma dieta equilibrada, dormir bem, participar rotineiramente de atividades para aliviar o estresse, como ioga e meditação, praticar exercício físico ao menos 2 vezes por semana e ter momentos de relaxamento durante o dia, são grandes aliados para quem almeja ter um ciclo capilar funcional e exibir madeixas saudáveis.
Não menos importantes estão os cuidados capilares no dia a dia: diminuir o uso de ferramentas de calor (como chapinha e secador), atentar-se à higiene do
couro cabeludo, não lavar os cabelos com água muito quente, não dormir de cabelo molhado e ter um cronograma capilar que contribua com a hidratação e nutrição dos fios. Muitas vezes é possível normalizar a queda de cabelo adotando uma rotina de hábitos saudáveis como esses. Por outro lado, alguns casos precisam de algo a mais. Esse “algo a mais” varia muito de pessoa para pessoa, com base na causa da queda, na gravidade do problema, nas características individuais e na história de vida de cada um. No geral os tratamentos combinam o uso de produtos tópicos (como shampoos, loções e tônicos), com suplementação oral de nutrientes recomendados para auxiliar no ciclo capilar. Além disso, o uso de LED de baixa intensidade, microagulhamento capilar, aplicação de vitaminas e oligoelementos injetáveis diretamente no couro cabeludo e utilização da aromaterapia são recursos poderosos que trazem mais velocidade aos resultados.
Mas calma! A paciência é uma grande aliada quando o assunto é tratamento capilar e evita que você caia em ciladas de tratamentos e produtos milagrosos. Não existem resultados da noite para o dia! A duração dos tratamentos pode variar bastante: alguns podem ser mais curtos, enquanto outros podem exigir um compromisso mais longo. Persista e não se compare!
Texto por: Dra. Heloisa Olivan/Cosmetóloga