BEBIDAS ENERGÉTICAS E EFEITOS CARDIOVASCULARES
- Redação Saúde Minuto
- 09/02/2022
- Cardiologia Helio Castello
Uma das categorias de bebidas não alcoólicas que mais aumenta o consumo são as bebidas energéticas (BEs). Só nos EUA existem mais de 100 marcas distintas de BEs, no entanto, se observarmos os principais componentes das que dominam o mercado mundial, nota-se que elas são semelhantes em cafeína e açúcar associados, geralmente, à Taurina que é um aminoácido e à Glucoronolactona que é um carboidrato sintético.
Alguns estudos têm avaliado a ação destas bebidas sobre o sistema cardiovascular e cerebrovascular. Apesar de termos alguns resultados controversos, podemos dizer que uma lata de 355ml desta bebida pode aumentar a frequência cardíaca, fazendo com que o coração trabalhe mais e gaste mais energia, além de elevar a pressão arterial. Neste mesmo estudo houve um achado novo que mostrou diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo cerebral, com maior resistência dos vasos cerebrais a passagem do sangue, o que poderia ser responsável pelo aumento reflexo da frequência respiratória. Isso foi demonstrado tanto em repouso quanto em tarefas que proporcionam algum tipo de desafio ao cérebro.
A maioria dos estudos mostra que os efeitos cardiovasculares ocorrem após 60 minutos da ingesta e podem permanecer por até 4 horas se o uso for interrompido. Obviamente depende da quantidade ingerida, porém a maioria analisou efeitos após ingestão de uma lata de energético. Observaram também que quanto maior a quantidade de cafeína e a quantidade de bebida tomada maior o efeito, principalmente, sobre a pressão arterial.
O efeito principal da cafeína é o aumento da pressão arterial, embora note-se que as pessoas habituadas a consumir cafeína possam ter este efeito minimizado. Algumas substâncias e drogas podem ter efeito sinérgico, como o álcool e os psicoestimulantes (por exemplo, cocaína e anfetaminas). A cafeína pode, também, diminuir os efeitos dos medicamentos tranquilizantes, como diazepínicos, e interferir no metabolismo dos diabéticos quando usada com frequência.
Enquanto isso, o efeito principal do açúcar existente na bebida seria de aumentar a frequência cardíaca, isto é, aumentar o trabalho do coração por estimular o metabolismo pelo efeito termogênico do carboidrato.
Podemos, desta forma, resumir os principais efeitos que merecem cuidado:
- Aumento de frequência cardíaca, podendo causar taquicardia e outras arritmias.
- Aumento da pressão arterial.
- Maior trabalho do coração, consumindo mais oxigênio, que pode levar a crises de angina, principalmente em pessoas com doença aterosclerótica de base.
- Piora do diabetes pelo efeito da cafeína e dos carboidratos da bebida.
- Aumento da frequência respiratória.
- Perda do sono pela ação da cafeína.
- Sinergismo com álcool e psicoestimulantes.
- Piorar o efeito de alguns medicamentos.
Estes efeitos podem ser potencializados em crianças e pessoas de baixo peso.

Dr. Hélio Castello
Cardiologista Intervencionista