Bipolaridade não é “mudança de humor”
- Redação Saúde Minuto
- 29/03/2026
- Saúde Saúde Mental
Se você acha que transtorno bipolar é só “uma hora feliz, outra triste”, está na hora de rever esse conceito. O problema é muito mais sério. E também muito mais comum do que parece. Neste 30 de março, Dia Mundial do Transtorno Bipolar, o alerta é direto. Informação ainda é a melhor forma de combater o preconceito.
De acordo com dados da ABRATA, cerca de 140 milhões de pessoas convivem com o transtorno no mundo. Na maioria dos casos, os primeiros sinais aparecem ainda na juventude, entre os 18 e 25 anos.
Não é só mudança de humor
Segundo o psiquiatra Dr. Marcelo Salomão Aros, professor de Medicina da Universidade de Franca (Unifran), o transtorno bipolar envolve episódios bem definidos. E eles impactam diretamente a vida da pessoa.
Na fase de mania, tudo parece acelerado demais. A pessoa pode ficar extremamente animada, com energia lá em cima, dormir pouco e ainda assim não sentir cansaço. Também é comum falar mais rápido, ter pensamentos acelerados, gastar impulsivamente e assumir riscos sem medir consequências.
Já na fase depressiva, o cenário muda completamente. Desânimo, cansaço extremo, perda de interesse, dificuldade de concentração, alterações no sono e até pensamentos negativos mais graves podem aparecer. Existe ainda a hipomania, uma versão mais leve da mania. Muitas vezes ela passa despercebida. E é justamente aí que mora o perigo.
O maior problema ainda é o preconceito
Apesar de comum, o transtorno bipolar ainda é cercado de estigma. Muita gente com o diagnóstico é vista como instável, difícil ou até incapaz. E isso afasta ainda mais essas pessoas do tratamento. “Todas as doenças psiquiátricas ainda enfrentam preconceito”, explica o Dr. Marcelo Aros.
O impacto disso é real. Menos busca por ajuda, mais sofrimento e mais dificuldade de manter uma rotina saudável.
Tem tratamento. E tem vida normal, sim
A boa notícia é que dá para viver bem com transtorno bipolar. O tratamento costuma combinar medicamentos e psicoterapia. Além disso, hábitos como atividade física e alimentação equilibrada ajudam. E muito.
Texto por: Dr. Marcelo Salomão Aros