Descolorir os cílios: vale o risco?
- Redação Saúde Minuto
- 12/08/2026
- Beleza
A moda ganhou força nas passarelas e viralizou nas redes sociais, mas especialistas fazem um alerta: aplicar descolorante próximo aos olhos pode provocar queimaduras químicas e, nos casos mais graves, comprometer a visão de forma permanente.
Depois das sobrancelhas descoloridas, chegou a vez dos cílios claros conquistarem espaço nos desfiles internacionais e no TikTok. O visual minimalista virou desejo entre influenciadoras e amantes da beleza. Mas, antes de aderir à tendência, vale conhecer um detalhe importante: usar descolorantes de cabelo ou de pelos na região dos olhos pode representar um risco sério para a saúde ocular.
Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o problema não está apenas no contato direto do produto com os olhos. Mesmo quando a substância não atinge o globo ocular, ela pode causar danos importantes às estruturas ao redor das pálpebras.
“As glândulas responsáveis pela camada oleosa da lágrima ficam justamente na borda das pálpebras. O contato com produtos químicos pode comprometer seu funcionamento e favorecer o aparecimento de diversas doenças oculares”, explica.
Entre as complicações mais comuns estão olho seco crônico, blefarite, terçol, calázio, quebra e queda dos cílios, dermatite de contato, alergias, inchaço e descamação das pálpebras.
Quando o produto entra no olho, o risco aumenta
O maior perigo acontece quando o descolorante penetra no globo ocular.
Nesses casos, a queimadura química pode atingir a córnea e a conjuntiva, provocar inflamação intensa, úlceras e até lesionar o limbo, região que abriga células-tronco essenciais para a regeneração da superfície da córnea. Dependendo da gravidade, a consequência pode ser uma perda permanente da visão.
Quais são os primeiros sinais?
Os sintomas costumam surgir imediatamente após o contato com o produto. Entre eles estão:
- dor intensa;
- ardência;
- vermelhidão;
- sensação de areia nos olhos;
- visão embaçada;
- lacrimejamento;
- inchaço nas pálpebras;
- dificuldade para manter os olhos abertos.
Segundo Queiroz Neto, a rapidez no atendimento faz toda a diferença.
“O tempo entre o acidente e a remoção completa do produto pode determinar se o paciente terá recuperação total ou sequelas permanentes”, afirma.
O que fazer imediatamente?
Se o descolorante entrar em contato com os olhos, o primeiro passo é iniciar a lavagem imediatamente.
O especialista orienta inclinar levemente a cabeça para baixo e para o lado do olho afetado, abrir delicadamente as pálpebras com os dedos e lavar continuamente com água corrente por 15 a 20 minutos, sempre direcionando a água do canto interno para o externo. Durante a irrigação, também é recomendado movimentar os olhos para cima, para baixo e para os lados para facilitar a remoção completa do produto.
Depois da lavagem, a orientação é procurar atendimento oftalmológico imediatamente, mesmo que a dor diminua.
Como é o tratamento?
O tratamento depende da gravidade da queimadura.
Pode incluir lavagem abundante realizada no hospital, remoção de resíduos presos sob as pálpebras, colírios antibióticos, lubrificantes oculares, medicamentos para controle da inflamação e da dor, além de terapias específicas para favorecer a cicatrização da córnea.
Nos casos mais graves, quando ocorre perfuração ou cicatrizes profundas, pode ser necessário realizar transplante de córnea ou de limbo.
Existe uma forma mais segura de seguir a tendência?
Para quem gosta do efeito dos cílios claros, o especialista recomenda alternativas que não envolvem produtos químicos agressivos na região dos olhos.
Máscaras para cílios coloridas, primers, extensões e cílios postiços brancos produzem um resultado semelhante sem expor os olhos ao risco de queimaduras químicas.
“A moda muda o tempo todo. A nossa visão, não. Preservar a saúde dos olhos sempre deve vir em primeiro lugar”, conclui o oftalmologista.
Texto por: Dr. Leôncio Queiroz Neto

