Ficar muito tempo parado pode causar trombose? Veja quem corre mais risco
- Redação Saúde Minuto
- 15/09/2026
- Saúde
Viagens longas, anticoncepcionais, gravidez, cigarro e até uma temporada de repouso podem entrar nessa conta. Especialista explica os sinais que não devem ser ignorados
Horas dentro de um avião ou carro. Dias de repouso depois de uma cirurgia. Uma perna imobilizada por causa de uma fratura. À primeira vista, situações bem diferentes. Mas todas têm algo em comum: ficar muito tempo sem se movimentar pode aumentar o risco de trombose.
No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, celebrado em 16 de setembro, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Regional São Paulo (SBACV-SP), chama a atenção justamente para isso: a doença não acontece apenas com quem está internado.
A trombose venosa profunda, conhecida pela sigla TVP, ocorre quando um coágulo se forma dentro de uma veia, principalmente nas pernas, dificultando a circulação do sangue.
Por que ficar parado aumenta o risco?
A panturrilha tem um papel importante em ajudar o sangue a voltar das pernas em direção ao coração. Quando passamos muito tempo praticamente sem mexer as pernas, esse mecanismo fica prejudicado e o sangue circula mais lentamente.
“Quando a musculatura da panturrilha deixa de exercer adequadamente sua função, a velocidade do fluxo sanguíneo diminui e a predisposição para a trombose aumenta”, explica o cirurgião vascular Dr. Adilson Ferraz Paschoa, membro da Comissão de Tromboembolismo Venoso (TEV) da SBACV-SP.
Não é só ficar parado
A lista de fatores que podem aumentar o risco é maior. Gravidez e pós-parto, câncer, obesidade, tabagismo, idade avançada, histórico pessoal ou familiar de trombose e algumas predisposições genéticas também merecem atenção.
O uso de anticoncepcionais e de reposição hormonal também pode entrar nessa conta, principalmente quando existem outros fatores de risco associados.
Isso não significa, claro, que toda pessoa que usa anticoncepcional, faz uma viagem longa ou passa alguns dias de repouso terá trombose. O risco precisa ser avaliado individualmente.
Dor na panturrilha merece atenção
Um dos sinais mais conhecidos da trombose é dor acompanhada de inchaço na perna, principalmente na região da panturrilha.
O problema pode se tornar ainda mais grave se parte do coágulo se desprender e chegar aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar.
Nesse caso, sintomas como falta de ar, dificuldade para respirar e dor no peito são sinais de alerta e exigem atendimento médico imediato.
A trombose venosa profunda e a embolia pulmonar fazem parte do chamado tromboembolismo venoso, ou TEV.
Dá para prevenir?
Em muitos casos, sim. Mas não existe uma receita única para todo mundo.
Dependendo do risco e da condição clínica de cada paciente, podem ser indicadas medidas como movimentação, fisioterapia, meias elásticas, dispositivos de compressão pneumática ou medicamentos anticoagulantes.
Por isso, quem já teve trombose ou apresenta fatores que aumentam a predisposição deve conversar com o médico antes de situações como cirurgias, períodos prolongados de imobilização ou viagens muito longas.
Nova lei muda prevenção dentro dos hospitais
Em 2026, uma nova lei passou a determinar que hospitais públicos e privados adotem protocolos para avaliar o risco de tromboembolismo venoso em pacientes internados e indiquem medidas preventivas de acordo com cada caso.
Na prática, a ideia é identificar mais cedo quem apresenta maior risco e fazer com que a prevenção passe a integrar os cuidados durante a internação.
Para Paschoa, a mudança representa um avanço. “Toda medida preventiva na área da saúde visa reduzir eventos e suas complicações. Em relação ao tromboembolismo venoso, o cenário não é diferente. Essa orientação, agora com a força de lei, representa um grande avanço para reduzir o impacto da doença.”
Recebeu alta? O risco não acaba na porta do hospital
Outro ponto que pouca gente sabe é que o risco de trombose pode continuar mesmo depois que o paciente volta para casa.
“A chance de desenvolver tromboembolismo venoso persiste por três meses ou até mais após uma internação, sendo maior nas primeiras três semanas. Por isso, o paciente deve permanecer atento aos sinais de alerta mesmo quando já estiver em casa”, orienta o especialista.
A mensagem é simples: ter recebido alta não significa que dor e inchaço na perna, falta de ar ou dor no peito devam ser ignorados.
Segundo o cirurgião vascular, ampliar a prevenção pode fazer uma diferença importante. “O tromboembolismo venoso é hoje a terceira principal causa de morte cardiovascular no mundo, e toda estratégia de prevenção tem potencial para salvar vidas.”
Texto por: Dr. Adilson Ferraz Paschoa, membro da Comissão de Tromboembolismo Venoso (TEV) da SBACV-SP.

