Meningites – Tipos, formas de contágio, e tratamento
- Redação Saúde Minuto
- 06/05/2024
- Adelino de Melo Infectologista Saúde
A meningite é uma doença que causa a inflamação das meninges, membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal. Normalmente são infecciosas, causadas por vírus e bactérias, e em menor grau por fungos. Há também a meningite não infecciosa, causada por processos inflamatórios diversos, como os provocados por doenças auto-imunes e cânceres.
A doença atinge pessoas de qualquer idade, mas é mais comum em bebês e crianças menores de 5 anos. Por atacar o sistema nervoso central, as meningites infecciosas são potencialmente graves e podem causar complicações temporárias ou permanentes ao paciente, assim como sérias sequelas, até mesmo a morte. Por isso, é fundamental que a doença seja diagnosticada o mais cedo possível; dessa forma, o tratamento pode ser iniciado rapidamente.
Algumas das possíveis sequelas causadas pelas meningites são a perda total ou parcial da audição e visão, epilepsia, problemas de memória e concentração, dificuldade de aprendizagem (inclusive em adultos), atraso no desenvolvimento motor, com dificuldades para andar e se equilibrar, além de paralisia de um ou ambos os lados do corpo.
Os três principais tipos de meningite são:
- Meningites virais: causadas por vírus, costumam aparecer com mais frequência no verão e na primavera. Normalmente evoluem de forma benigna, e o próprio organismo consegue curar a inflamação. Frequentemente acometem crianças pequenas e bebês. A maior parte dos casos são causados por agentes do gênero Enterovírus.
- Meningites bacterianas: são causadas por bactérias que conseguem atingir o sistema nervoso central. Essa versão costuma ser mais grave que a meningite viral, com riscos elevados de sequelas e morte. Ocorrem com mais frequência no outono e inverno. Diversas bactérias podem estar envolvidas, mais frequentemente Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae.
- Meningites fúngicas: são mais raras e, quando ocorrem, são causadas por fungos oportunistas comuns no ambiente, mas capazes de atingir pessoas que estão com sistema imunológico enfraquecido, como em tratamentos oncológicos ou após transplantes.Alguns exemplos são os dos gêneros Cryptococcus, Histoplasma e Candida.
As meningites podem ser contraídas de diversas maneiras. A meningite viral geralmente é transmitida via fecal-oral, pois os maiores causadores são os Enterovírus, que habitam o sistema digestivo. Há vírus menos frequentes que causam a doença, possuindo formas distintas de transmissão. As arboviroses, por exemplo, têm o mosquito como vetor, enquanto o Citomegalovírus e o Herpes Simplex podem ser transmitidos por fluido oral e contato sexual, dentre outros.
A meningite bacteriana também tem sua forma de transmissão dependente da bactéria envolvida. As principais relacionadas à meningite, Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, passam de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Já outras bactérias podem se espalhar por meio dos alimentos, como é o caso da Listeria monocytogenes e da Escherichia coli.
A meningite fúngica, ao contrário das outras, não é contagiosa de pessoa a pessoa. Ela pode acontecer via inalação de esporos, que penetram nos pulmões e chegam até as meninges. Esse é o caso da contaminação por Cryptococcus spp., a mais comum. Eles se encontram em solos contaminados e fezes de aves, principalmente pombos.
A transmissão aérea acaba sendo a responsável por surtos da inflamação, que costumam acometer crianças mais novas ou adolescentes , ainda não imunizados. Por vezes, alunos de uma mesma sala ou escola ou pessoas que moram num mesmo bairro também são acometidas por surtos oriundos da transmissão por gotículas respiratórias
Existem outras fontes possíveis de meningites bacterianas, como complicações de sinusites ou otites graves, não diagnosticadas e tratadas adequadamente. Essas situações são mais raras que as descritas previamente.
As meningites podem atingir pessoas de qualquer idade, apesar de ser mais comum em bebês e crianças menores de 5 anos, devido à imaturidade de seu sistema imunológico. No entanto, outros fatores podem aumentar o risco de se contrair a infecção, como condições médicas que levam a redução da imunidade ou contato próximo com pessoas com diagnóstico de meningite.
É muito importante prestar a devida atenção aos sintomas sugestivos da doença, uma vez que o diagnóstico tardio aumenta a possibilidade de sequelas e problemas mais sérios. Quadros de meningite podem ter evolução rápida e se agravarem em questão de horas, levando até mesmo a óbito. Por isso, ao surgir algum indicativo de meningite, é essencial buscar atendimento hospitalar de urgência.
Os sintomas mais sugestivos da doença incluem fortes e constantes dores de cabeça, febre alta acima dos 38°, náusea e vômito, tontura, confusão mental e dificuldade de concentração, sonolência excessiva, convulsões e maior sensibilidade aos sons e a luz. Esses sintomas costumam piorar lentamente por 3 a 5 dias, e podem ser confundidos com os de uma virose.
O sintoma mais característico da meningite em crianças e adultos é a rigidez na nuca, que pode ser observada pela dificuldade de encostar o queixo no peito. Quanto mais difícil for a realização desse movimento, maiores são as chances de um diagnóstico positivo.
No caso dos bebês e crianças pequenas, nem sempre ocorre a rigidez na nuca. Além da febre alta, é possível notar maior irritabilidade, choro agudo e persistente, perda de apetite, dificuldade de movimentar a cabeça e também, no caso dos bebês com menos de um ano, fontanela (moleira) tensa e com aparência estufada.
A principal forma de se prevenir das meningites bacterianas, que são as que evoluem para os casos mais graves, é a vacinação. É fundamental se atentar para os períodos recomendados de vacinação (inclusive as doses de reforço indicadas para adolescentes, adultos e idosos), já que esta é a maneira mais eficaz de se prevenir contra a doença. As vacinas contemplam as principais bactérias envolvidas na meningite: Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae.
Como muitas meningites são transmitidas pelas vias respiratórias, evitar o contato com casos suspeitos, bem como evitar aglomerações em locais com surtos de meningites, são medidas importantes. Já a higienização das mãos e o cuidado com os alimentos é importante para prevenir meningites causadas por agentes envolvidos na transmissão fecal-oral, como Enterovírus.
O diagnóstico da meningite deve ser clínico e laboratorial. É feito inicialmente através da avaliação clínica dos sintomas, sendo comum o uso de exames de sangue, urina e de imagem. No entanto, a forma mais eficaz para o diagnóstico da doença é a análise do líquido cefalorraquidiano (líquor) com realização de testes como cultura e painéis moleculares. O diagnóstico rápido e preciso é preponderante para o sucesso do tratamento das meningites.
O tratamento das meningites bacterianas, são feitos em regime de internação, com uso de antibióticos endovenosos. As meningites virais podem ser tratadas com antivirais como nas infecções por herpes vírus. Já as meningites fúngicas costumam exigir tratamentos mais longos, com uso de antifúngicos específicos.
Texto por Dr. Adelino de Melo Freire Junior | Médico Infectologista