Nem toda anemia infantil é falta de ferro: diagnóstico correto evita tratamentos inadequados
- Redação Saúde Minuto
- 20/06/2026
- Kids
Cansaço excessivo, palidez, falta de disposição para brincar e dificuldade de aprendizado. Quando esses sinais aparecem, muitos pais logo pensam em anemia. E, na maioria das vezes, estão certos. O que pouca gente sabe é que nem toda anemia infantil é causada pela falta de ferro.
A anemia é um problema frequente na infância. Estima-se que ela atinja entre 19% e 35% das crianças de 6 a 24 meses de idade, justamente uma fase importante para o crescimento e o desenvolvimento cerebral.
Entre os diferentes tipos da doença, dois costumam gerar dúvidas: a anemia ferropriva, causada pela deficiência de ferro, e a talassemia, uma condição hereditária que afeta a produção da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio pelo organismo.
Embora os exames possam apresentar resultados parecidos, os tratamentos são completamente diferentes.
“O grande desafio é que ambas podem apresentar hemácias menores do que o normal. Por isso, muitas vezes os pais recebem o diagnóstico de anemia e acreditam que a criança precisa apenas tomar ferro. Nem sempre é assim”, explica a Dra. Sandra Loggetto, hematologista do Sabará Hospital Infantil.
A anemia por deficiência de ferro é a mais comum na infância e pode causar palidez, irritabilidade, cansaço, queda no rendimento escolar e atraso no desenvolvimento. Nesses casos, a suplementação de ferro costuma trazer bons resultados.
Já na talassemia, o problema não está na alimentação nem na falta de nutrientes. Trata-se de uma alteração genética herdada dos pais, que interfere na produção da hemoglobina.
“Quando a criança tem talassemia menor e não apresenta deficiência de ferro, a suplementação não traz benefícios e pode até causar efeitos indesejados. Por isso, identificar corretamente a causa da anemia é tão importante”, alerta a especialista.
Nos casos mais graves de talassemia, os sintomas costumam surgir ainda no primeiro ano de vida e podem incluir fraqueza, aumento do baço, dificuldade para ganhar peso e atraso no crescimento. Já as formas mais leves podem acompanhar a criança por toda a vida sem comprometer significativamente sua rotina, desde que haja acompanhamento médico adequado.
Quando os pais devem procurar ajuda?
A recomendação é buscar avaliação pediátrica sempre que a criança apresentar palidez persistente, cansaço fora do habitual, dificuldade para ganhar peso, falta de apetite ou alterações no desenvolvimento.
Além disso, exames de rotina são fundamentais para identificar o problema precocemente, muitas vezes antes mesmo do surgimento dos sintomas.
Para prevenir a anemia ferropriva, o Ministério da Saúde recomenda a suplementação de ferro para crianças entre 6 e 24 meses, além de uma alimentação equilibrada, rica em fontes de ferro, vitamina C e vitamina A.
“A mensagem mais importante para as famílias é que anemia não é tudo igual. O diagnóstico correto permite que cada criança receba o tratamento adequado no momento certo, evitando complicações e garantindo um desenvolvimento saudável”, conclui Dra. Sandra.
Texto por: Dra. Sandra Loggetto, hematologista do Sabará Hospital Infantil.