Penteados apertados podem causar dor de cabeça e até queda de cabelo; Entenda os riscos
- Rebeca Real
- 03/03/2026
- Beleza
Rabo de cavalo alto, coque, trança impecável. Quem nunca apostou em um penteado bem puxado para levantar o look e a autoestima?
O cabelo faz parte da nossa identidade, do nosso estilo e até do nosso humor. Mas o que muita gente não percebe é que aquele visual superestiloso pode estar cobrando um preço silencioso: dor de cabeça, sensibilidade no couro cabeludo e, em alguns casos, até queda de cabelo.
Sim, aquele coque “bem firme” pode não ser tão inofensivo quanto parece
A dermatologista Dra. Ana Carulina Moreno, formada pela USP e com residência em Dermatologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, explica por que penteados muito apertados podem causar desconforto e quais são os riscos de manter o cabelo preso e tensionado com frequência.
Quais são os riscos dos penteados apertados?
Penteados muito justos exercem tração constante sobre o couro cabeludo e podem inflamar o folículo capilar, estrutura responsável por produzir, nutrir e ancorar o fio. Essa tensão contínua fragiliza a haste capilar, favorecendo quebra, aumento de frizz e pontas duplas.
As dores de cabeça também podem surgir nesse contexto. Conhecida como cefaleia por tração, essa dor ocorre quando o penteado tensiona a pele e as estruturas do couro cabeludo, estimulando terminações nervosas. Em pessoas com predisposição à enxaqueca, o quadro pode inclusive desencadear crises.
“Os problemas dermatológicos mais comuns incluem alopecia por tração, foliculite (inflamação ou infecção do folículo), tricorrexe por tração (quebra do fio), dermatite de contato ou irritativa, provocada pelo atrito, pelo uso de elásticos, colas e produtos capilares, além da piora da dermatite seborreica em algumas pessoas, em razão do aumento de calor, da oclusão e do acúmulo de resíduos”, explica a especialista.
Sinais que merecem atenção
Dor, ardor, sensação de repuxamento e sensibilidade ao toque indicam que o couro cabeludo está sob estresse. Nesses casos, o ideal é afrouxar o penteado, alternar os estilos e observar se há aumento de quebra ou queda nas áreas tensionadas.
Também podem surgir vermelhidão na linha do cabelo, pequenas pápulas semelhantes a “bolinhas” (foliculite), descamação, coceira e até microferidas por atrito. A presença de pus, dor intensa ou piora progressiva exige avaliação dermatológica.
Como reduzir os danos
Variar o penteado – Alternar a altura do rabo de cavalo, mudar o lado da risca e intercalar dias com o cabelo solto diminui a sobrecarga repetitiva sobre os mesmos folículos.
Atenção aos produtos modeladores – Géis e sprays fixadores mantêm a estrutura do penteado, mas alguns possuem álcool, que pode ressecar e irritar o couro cabeludo. Já pomadas e ceras são mais oleosas, favorecendo o acúmulo de resíduos e a irritação em pessoas sensíveis, podendo até provocar acne na testa e na nuca. O risco aumenta com o uso diário sem higienização adequada.
Evitar dormir com o cabelo preso – Durante o sono, o atrito com o travesseiro e a tração prolongada aumentam o risco de quebra e enfraquecimento dos fios. Caso seja necessário prender, o ideal é optar por um elástico largo e frouxo ou utilizar fronha de cetim ou seda para reduzir o atrito.
“Os danos causados pela tração são cumulativos, e identificar esses sinais precocemente é fundamental para evitar complicações mais sérias”, orienta a dermatologista Dra. Ana Carulina Moreno.
Fonte: Dermatologista Dra. Ana Carulina Moreno, formada pela USP e com residência em Dermatologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
CRMRJ 97133-2/ RQE 21135