Rosácea: o que está por trás da vermelhidão persistente na pele
- Yasmin Cobuci
- 12/08/2025
- Beleza Bem-estar Saúde
A rosácea é uma condição inflamatória crônica da pele, que afeta principalmente o rosto e provoca vermelhidão, sensibilidade, vasos dilatados e, em alguns casos, lesões semelhantes à acne. Embora ainda pouco compreendida, pode causar desconforto significativo e estar associada a outras doenças sistêmicas.
A enfermidade costuma surgir entre os 30 e 50 anos, com maior incidência em mulheres. No entanto, quando afeta homens, tende a ser mais severa, podendo provocar espessamento da pele, especialmente no nariz — quadro conhecido como rinofima.
Sintomas e evolução
O primeiro sinal da rosácea geralmente é o rubor facial frequente, característico da fase chamada pré-rosácea. Com o tempo, a vermelhidão torna-se persistente, especialmente no centro da face, acompanhada de ardência e sensação de queimação. Também podem surgir telangiectasias (vasos aparentes), pápulas, pústulas e, em até 50% dos casos, sintomas oculares, como irritação e conjuntivite — o que configura a chamada rosácea ocular.
Fatores agravantes e doenças associadas
Estresse, alterações emocionais, doenças gastrointestinais e distúrbios metabólicos estão entre os fatores que podem agravar o quadro. A dermatologista Dra. Isabela Pitta, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, destaca:
“Estudos apontam uma possível associação entre rosácea e distúrbios inflamatórios sistêmicos, como doenças intestinais inflamatórias, alterações cardiovasculares e síndromes metabólicas. Embora não haja relação direta de causa e efeito, entende-se que desequilíbrios imunológicos e inflamações crônicas podem estar por trás desse vínculo.”
Tipos de rosácea
A doença pode se manifestar de diferentes formas:
- Eritemato-telangiectásica: mais comum, com vermelhidão persistente e vasos dilatados visíveis.
- Papulopustulosa: surgem lesões inflamadas que lembram acne.
- Fimatosa: caracteriza-se pelo espessamento da pele, especialmente no nariz.
- Ocular: envolve sintomas como vermelhidão, ardência, sensação de corpo estranho e, em casos graves, danos na córnea.
- Granulomatosa: forma rara, com pápulas endurecidas de cor avermelhada ou acastanhada.
Vale lembrar que um mesmo paciente pode apresentar diferentes formas da doença ao longo da vida, influenciado por fatores genéticos, ambientais e pelo tratamento adotado.
Causas e gatilhos
As causas exatas da rosácea ainda não são totalmente compreendidas. No entanto, alguns fatores são reconhecidos como possíveis desencadeadores:
- Disfunções no sistema imunológico
- Exposição solar excessiva
- Variações bruscas de temperatura
- Consumo de bebidas alcoólicas
- Estresse e emoções intensas
Segundo a Dra. Isabela, o estresse afeta a barreira cutânea e estimula a vasodilatação, o que favorece a inflamação e a vermelhidão.
Tratamento e tendências
Ainda sem cura definitiva, a rosácea é tratada com o objetivo de controlar os sintomas e evitar agravamentos. O plano terapêutico varia conforme o tipo e gravidade do quadro.
“Novas tecnologias com luz intensa pulsada e lasers específicos têm se mostrado eficazes na redução da vermelhidão e dos vasos dilatados, com menor desconforto para o paciente,” explica a dermatologista.
Ela também destaca os avanços nos dermocosméticos:
“Produtos com ativos calmantes, anti-inflamatórios e prebióticos ajudam a reequilibrar a microbiota da pele, reduzindo a sensibilidade e os surtos.”
Outro aliado importante é a água termal, que, por suas propriedades antioxidantes e calmantes, contribui para aliviar a ardência e reforçar a hidratação da pele sensível.
Embora a rosácea ainda seja subestimada, o diagnóstico precoce e o acompanhamento dermatológico adequado são fundamentais para o controle da doença. Observar os sinais da pele, manter hábitos saudáveis e evitar gatilhos são medidas essenciais para quem convive com essa condição.