Seu nariz vive entupido? O problema pode ser muito mais sério do que uma “rinitezinha”
- Redação Saúde Minuto
- 15/06/2026
- Saúde
Respirar mal o tempo todo, viver fungando, dormir de boca aberta e achar que isso “é normal” pode ser um baita erro. O famoso nariz entupido crônico, que muita gente tenta resolver sozinho com spray nasal, pode esconder uma condição inflamatória chamada polipose nasal — um problema silencioso que afeta a respiração, o sono, o olfato e até a qualidade de vida.
A doença acontece quando pequenas estruturas benignas, conhecidas como pólipos, crescem dentro do nariz e dos seios da face, ocupando espaço e dificultando a passagem do ar. O problema é que muita gente convive anos com os sintomas sem imaginar que existe tratamento.
Segundo o otorrinolaringologista Dr. Luiz Castanheira, do Hospital Paulista, é muito comum os pacientes normalizarem o desconforto. “Muitas pessoas passam anos respirando mal e usando descongestionantes por conta própria sem investigar a causa real do problema”, explica.
A polipose nasal costuma estar ligada a processos inflamatórios crônicos, especialmente em pessoas com rinite alérgica, asma ou sensibilidade a determinados medicamentos. E não é algo raro: de acordo com o documento internacional EPOS (European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps), a condição afeta cerca de 2% a 4% da população adulta, principalmente após os 40 anos.
E não pense que o problema se resume ao nariz entupido.
Os sintomas podem incluir perda do olfato, sensação constante de pressão no rosto, secreção nasal frequente, ronco e até noites mal dormidas. Em muitos casos, a pessoa percebe que “não sente mais cheiro de nada” ou que a comida perdeu o sabor, já que olfato e paladar caminham juntos.
“O impacto vai muito além do desconforto. A perda do olfato pode afetar desde o prazer de comer até situações de segurança, como perceber cheiro de fumaça ou gás”, alerta o médico.
Outro ponto que preocupa os especialistas é a automedicação. Muita gente vive dependente daqueles sprays descongestionantes que parecem milagrosos, mas que apenas aliviam temporariamente os sintomas. Com o uso frequente, o efeito pode virar uma armadilha e até piorar a obstrução nasal ao longo do tempo.
Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, a automedicação para sintomas respiratórios é extremamente comum no Brasil, o que acaba atrasando o diagnóstico de doenças crônicas como a polipose nasal.
A boa notícia é que o diagnóstico costuma ser simples quando feito por um otorrinolaringologista. Exames como nasofibroscopia e tomografia ajudam a identificar os pólipos e definir o tratamento mais adequado.
Na maioria dos casos, o controle da inflamação é feito com medicamentos específicos, principalmente sprays nasais com corticoides. Quando a obstrução é muito intensa ou o tratamento clínico não resolve, pode ser indicada cirurgia para retirada dos pólipos e melhora da respiração.
“O paciente não precisa conviver eternamente com esse desconforto. Existe tratamento e qualidade de vida após o diagnóstico correto”, reforça Dr. Luiz Castanheira.
Texto por: Dr. Luiz Castanheira