Tem tatuagem? Toma remédio? Descubra o que realmente pode impedir você de doar sangue
- Redação Saúde Minuto
- 14/06/2026
- Sangue Saúde
Junho chegou e, com ele, a campanha Junho Vermelho, que reforça a importância da doação de sangue. Mas junto com o tema também aparecem várias dúvidas: quem fez tatuagem pode doar? Quem toma remédio está proibido? E quem teve dengue?
A verdade é que muita gente deixa de doar por acreditar que não pode, quando na realidade o impedimento é apenas temporário.
Segundo a hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), alguns dos motivos mais comuns que afastam os candidatos à doação não representam uma restrição definitiva.
“Muitas pessoas acreditam que nunca mais poderão doar sangue por causa de uma tatuagem, de um medicamento ou de um procedimento médico recente. Na maioria das vezes, basta aguardar o período recomendado para voltar a estar apto”, explica.
Nem toda restrição é para sempre
Pegou uma gripe? Fez uma endoscopia? Passou por uma extração dentária? Dependendo do caso, é só esperar alguns dias ou meses antes de voltar ao hemocentro.
Quem teve resfriado comum, por exemplo, pode doar sete dias após o desaparecimento dos sintomas. Já quem enfrentou uma gripe mais forte deve aguardar cerca de 15 dias após a recuperação.
Tatuagens e piercings também estão entre os campeões de dúvidas. Ao contrário do que muita gente pensa, eles não impedem a doação para sempre. Em geral, basta esperar seis meses após o procedimento.
E quem nunca pode doar?
Existem algumas situações em que a doação realmente não é permitida.
Pessoas com HIV, hepatites B e C, Doença de Chagas e HTLV, por exemplo, não podem doar sangue. O mesmo vale para quem teve determinados tipos de câncer, doenças cardíacas graves, insuficiência renal avançada e algumas doenças autoimunes.
Pacientes com diabetes que utilizam insulina ou que já apresentam complicações importantes também estão entre os grupos que não podem doar.
“Essas regras existem para proteger tanto quem doa quanto quem recebe o sangue”, explica a especialista.
Os mitos que mais afastam doadores
Mesmo com tanta informação disponível, algumas crenças continuam assustando quem pensa em doar.
“Vou ficar sem sangue”
Mito. O organismo repõe rapidamente o volume coletado.
“Preciso estar em jejum”
Pelo contrário. A recomendação é fazer uma refeição leve antes da doação.
“Doar afina o sangue”
Não. A doação não altera a viscosidade do sangue.
“Quem tem tatuagem não pode doar”
Pode, sim. Basta respeitar o período de espera recomendado.
Um gesto que pode salvar vidas
Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. E, antes de se excluir da lista de possíveis doadores, vale a pena buscar orientação.
Muitas vezes, aquele motivo que você acredita ser definitivo é apenas uma pausa temporária.
Texto por: Dra. Camila Gonzaga, hematologista do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).