Uso de anti-inflamatórios sem orientação médica pode agravar doenças renais
- Redação Saúde Minuto
- 18/08/2025
- Saúde
Especialista alerta para os riscos do uso frequente de medicamentos como ibuprofeno e diclofenaco sem prescrição médica
Sabe aquele remédio que você toma indiscriminadamente para dor de cabeça? Pois é… no futuro, a dor de cabeça pode ser ainda maior.
Um estudo transversal realizado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) demonstrou que no Brasil 14,8% dos pacientes com doença renal crônica (DRC), doença caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal, faziam uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), muitos por automedicação.
A automedicação é um problema crônico de saúde pública, já que grande parte da população não é suficientemente informada sobre os riscos do uso contínuo de alguns tipos de remédios vendidos livremente sem receita. Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, cerca de 9 em cada 10 brasileiros têm o hábito de se automedicar.
O uso indiscriminado de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e diclofenaco, pode representar um risco significativo para a saúde dos rins. O alerta é do Dr. Bruno Biluca, nefrologista da Fenix Nefrologia, que chama a atenção para a necessidade de ampliar a conscientização sobre os efeitos colaterais desse grupo de medicamentos amplamente utilizado no Brasil e no mundo.
“Uma das principais responsabilidades do nosso trabalho é a prevenção de doenças renais crônicas, visando a redução de pacientes dependentes de terapia renal substitutiva.” afirma o nefrologista.
Os AINEs atuam reduzindo a inflamação e a dor, mas também interferem no fluxo sanguíneo renal, especialmente no glomérulo, a estrutura responsável pela filtração do sangue nos néfrons. “Os AINEs podem afetar essa estrutura ao reduzir o fluxo sanguíneo que chega ao glomérulo, prejudicando a filtração”, explica Dr. Biluca.
Pessoas com fatores de risco, como idade avançada, hipertensão, diabetes, desidratação, uso de diuréticos ou inibidores da ECA/BRA, estão ainda mais vulneráveis aos efeitos adversos dos anti-inflamatórios.
“Por se tratar de medicamento que pode ser vendido sem prescrição médica, tendo como uma das principais indicações o tratamento de doenças osteomusculares, seria importante considerar a necessidade de maior controle sobre a venda desse grupo de medicação, além de amplas ações de educação em saúde sobre o tema para a população em geral”, conclui o médico.