- Redação Saúde Minuto
- 17/08/2026
- Saúde
Uma semana de calor fora de época e, poucos dias depois, casacos de volta às ruas. Essa mudança brusca de temperatura não exige adaptação apenas do guarda-roupa. Nariz, garganta e todo o sistema respiratório também sentem a diferença.
Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, quando a temperatura muda rapidamente, o organismo precisa trabalhar mais para adaptar o ar que respiramos.
“Quando as temperaturas variam muito em pouco tempo, o nariz tem dificuldade de manter a função de aquecer e umidificar o ar inspirado. Isso prejudica a defesa natural do sistema respiratório e abre espaço para infecções e inflamações”, explica.
O resultado pode aparecer na forma de nariz entupido, coriza, espirros, tosse e irritação na garganta. Gripes, resfriados, sinusites, crises de rinite alérgica e laringites também costumam incomodar mais nessa época. Pessoas com doenças respiratórias pré-existentes podem apresentar piora dos sintomas.
Como proteger as vias respiratórias?
Alguns cuidados simples ajudam o organismo a enfrentar melhor esse “sobe e desce” dos termômetros.
Beba água mesmo sem sentir sede
Tanto o calor quanto os ambientes com ar-condicionado podem favorecer o ressecamento das mucosas do nariz e da garganta. E mucosas ressecadas ficam mais suscetíveis a irritações. A recomendação é beber água ao longo de todo o dia, em pequenas quantidades e com frequência.
Prefira lugares ventilados
Ambientes fechados, principalmente quando há muita gente, facilitam a transmissão de vírus respiratórios. Sempre que possível, mantenha portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar.
Lave o nariz com soro fisiológico
A lavagem nasal ajuda a remover secreções, partículas, alérgenos e micro-organismos, além de manter a mucosa hidratada. Segundo o médico, ela pode fazer parte dos cuidados diários, especialmente nos períodos mais secos.
As garrafinhas próprias para lavagem nasal permitem utilizar maior volume de soro com baixa pressão. O procedimento deve ser feito suavemente, respirando pela boca e sem aplicar jatos fortes.
Para evitar contaminações e problemas relacionados ao preparo inadequado, a opção mais simples é utilizar soro fisiológico 0,9% pronto para uso. Caso a solução seja preparada em casa, é importante seguir orientação adequada quanto à água utilizada, concentração e higiene do recipiente.
Não transforme o ar-condicionado em uma geladeira
“O problema não é o ar-condicionado em si, mas o choque térmico repetido que ele provoca nas vias aéreas”, explica Barros.
Sair de um ambiente muito quente e entrar em outro excessivamente frio pode favorecer o ressecamento do nariz e da garganta. Para diminuir o contraste, o especialista recomenda manter a temperatura entre 23 °C e 25 °C.
A limpeza dos filtros também não deve ser esquecida, já que poeira e outros agentes acumulados no aparelho podem piorar sintomas respiratórios, principalmente em pessoas alérgicas.
Durma bem e cuide da alimentação
Sono adequado e alimentação equilibrada ajudam o organismo a manter suas defesas funcionando normalmente. Em períodos de mudanças bruscas de temperatura, esses hábitos ganham ainda mais importância.
Quem precisa ter mais cuidado?
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma, rinite e DPOC, merecem atenção especial.
Tosse persistente, falta de ar, chiado no peito, febre ou piora importante de uma doença respiratória já existente são sinais que não devem ser ignorados.
“A qualquer sinal de piora, como tosse persistente, chiado no peito ou febre, é fundamental procurar um médico. Esse clima pode agravar condições pré-existentes e desencadear crises sérias”, afirma o otorrinolaringologista.}
Texto por: Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros

