Como os temperos atuam em transtornos mentais e outras patologias
- Rafaela Navarro
- 22/11/2024
- Nutrição
Ervas como açafrão, cúrcuma, páprica e cominho são muito utilizadas na culinária e, segundo estudos do Journal of Traditional and Complementary Medicine e do National Center for Biotechnology Information, também oferecem proteção contra doenças como Alzheimer, Parkinson, depressão, entre outros. A farmacêutica Paula Molari Abdo, pela USP, explica como esses ativos beneficiam o organismo.
Açafrão
Seus componentes incluem picrocrocina, safranal, crocina e crocetina, substâncias químicas que agem como antioxidantes e coletores seletivos de radicais livres. Suas propriedades previnem quadros de depressão leve a moderada, ansiedade, distúrbios cognitivos e do sono. Segundo os estudos, a eficácia é comparável aos antidepressivos tradicionais.
A crocina também pode gerar efeito calmante nos neurotransmissores cerebrais, proporcionando maior capacidade de concentração. Além disso, o açafrão é uma fonte rica em riboflavina, a vitamina B2, sendo uma aliada para indivíduos propensos à enxaqueca.
“Somado a isso, o açafrão aumenta a produção de uma molécula envolvida na regulação vascular, o óxido nítrico, gerando uma vasodilatação e diminuindo a pressão sistólica e diastólica, fundamental para o tratamento da hipertensão”, afirma Paula Abdo.
Cúrcuma
Os compostos de curcuminoides (curcumina, desmetoxicurcumina e bisdesmetoxicurcumina) são polifenóis com efeitos anti-inflamatórios capazes de aumentar os níveis de dopamina e de hormônios que protegem o cérebro contra isquemias e doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla, Parkinson e Alzheimer.
Um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, confirma que a curcumina pode ajudar a eliminar as estruturas associadas ao Alzheimer no cérebro. “A Curcuma longa L age no Sistema Nervoso Central, tendo a curcumina como principal responsável pela ação neuroprotetora e antioxidante, atuando também nos quadros de depressão e ansiedade crônica”, reforça a farmacêutica.
Páprica
A páprica, especialmente o tipo mais picante, contém um composto chamado capsaicina, que ajuda a manter o sangue fluindo bem pelos vasos. Esse composto pode “relaxar” os vasos sanguíneos, facilitando a passagem do sangue e, com isso, reduzindo a pressão arterial. Esse efeito é benéfico para a saúde do coração e das artérias, pois facilita o trabalho do coração. Além disso, a páprica é rica em antioxidantes – substâncias que combatem o “envelhecimento” das células – que também ajudam a proteger os vasos e o coração.
Consumir páprica pode ajudar a baixar o colesterol ruim (LDL) e aumentar o colesterol bom (HDL). A capsaicina ajuda o corpo a eliminar mais colesterol nas fezes, o que significa que menos colesterol “ruim” fica circulando no sangue. Além disso, a páprica também pode ajudar a aumentar o colesterol bom, que é importante para limpar as artérias e levar o colesterol das paredes dos vasos de volta para o fígado, onde será eliminado.
Cominho
O cominho, por ser rico em antioxidantes, ajuda a proteger as artérias contra pequenas inflamações que, ao longo do tempo, podem formar depósitos de gordura (as placas de aterosclerose) nas paredes dos vasos. Esse acúmulo de gordura enrijece as artérias e prejudica a circulação do sangue, elevando o risco de doenças do coração. Com a ação anti-inflamatória e protetora do cominho, ele ajuda a manter as artérias mais saudáveis e livres dessas placas.
O cominho tem um efeito leve de relaxamento muscular e pode ajudar os vasos sanguíneos a ficarem um pouco mais “abertos”, o que facilita a circulação e pode baixar levemente a pressão. Além disso, os antioxidantes no cominho ajudam a proteger os vasos contra danos, o que é especialmente importante para quem tem pressão alta, pois reduz o risco de lesões nos vasos sanguíneos.
Os antioxidantes do cominho combatem os radicais livres, que são substâncias que podem “enferrujar” nossas células e vasos. Esse processo, chamado de oxidação, enfraquece os vasos e favorece o acúmulo de placas nas artérias. Os antioxidantes do cominho, como cuminaldeído e flavonoides, ajudam a evitar essa oxidação, mantendo as artérias flexíveis e mais saudáveis, prevenindo problemas cardíacos.
Profissional consultada: Dra. Paula Molari Abdo, farmacêutica pela Universidade de São Paulo.
Texto por: Rafaela Navarro | Redação Saúde Minuto | Editado por: Francisco Varkala