Má qualidade do sono pode aumentar risco de ganho de peso em crianças
- Redação Saúde Minuto
- 02/12/2024
- Saúde
Pediatra explica os impactos do sono inadequado no metabolismo e apetite das crianças
Projeções do Atlas 2024 da Federação Mundial da Obesidade revelam um cenário preocupante para o Brasil: até 2035, mais de 20 milhões de crianças e adolescentes poderão estar obesos. O aumento é significativo: foram 15,5 milhões registrados em 2019. Embora mudanças na alimentação e a prática de atividades físicas sejam úteis para reverter o quadro, um fator frequentemente negligenciado também desempenha papel de destaque: a qualidade do sono.
De acordo com a pediatra Dra. Bruna de Paula, idealizadora do Método Comer, o sono tem influência direta no equilíbrio hormonal e, consequentemente, no controle do apetite. Ela explica que dois hormônios, a grelina e a leptina, regulam a fome e a saciedade, respectivamente. Quando a criança não dorme bem, ocorre um aumento nos níveis de grelina e uma redução nos de leptina, o que resulta em maior fome e menor sensação de saciedade. Esse desequilíbrio hormonal favorece o consumo excessivo de alimentos calóricos e pouco nutritivos, aumentando o risco de ganho de peso.
Além disso, a especialista aponta que a privação de sono eleva os níveis de cortisol – conhecido como hormônio do estresse -, que também está associado ao aumento do apetite e ao acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal. “Esse acúmulo”, explica, “está relacionado a problemas metabólicos, como resistência à insulina, que é um fator de risco para obesidade”, acentua.
A falta de sono também tem impactos comportamentais. Crianças com privação de sono tendem a ter um metabolismo mais lento, o que significa que o corpo gasta menos energia em repouso e durante as atividades; “esse metabolismo reduzido aumenta a probabilidade de ganho de peso, especialmente se a criança também tiver um apetite aumentado por conta dos desequilíbrios hormonais”, comenta a pediatra.
A busca pelo conforto em alimentos ricos em açúcar e gordura, como forma de lidar com a irritabilidade e o estresse causados pelo cansaço, é comum nessa faixa etária, mas essa relação entre o sono inadequado e as escolhas alimentares prejudiciais pode criar um ciclo difícil de quebrar. Além disso, crianças com privação de sono geralmente apresentam menor disposição para atividades físicas, o que contribui para um estilo de vida mais sedentário, agravando ainda mais o problema.
Segundo a médica, a família tem papel central na criação de um ambiente favorável para hábitos saudáveis, incluindo o sono. Estabelecer rotinas regulares para dormir e acordar, limitar o uso de telas antes de dormir, criar um ambiente silencioso e confortável no quarto e oferecer uma alimentação equilibrada ao longo do dia são atitudes que podem ajudar as crianças a descansar melhor. Ela também ressalta a importância de estimular a prática de atividades físicas, já que ajudam a gastar energia, facilitam o sono e promovem o bem-estar geral.
Cada etapa do desenvolvimento infantil exige atenção especial às horas de sono, que variam conforme a idade. Desde recém-nascidos, que podem precisar de até 17 horas de descanso diário, até adolescentes, que devem dormir entre 8 e 10 horas por noite, o sono desempenha papel essencial no crescimento saudável. Investir em rotinas que garantam uma boa noite de descanso não é apenas um cuidado imediato, mas uma medida importante e, fatalmente, decisiva para prevenir a obesidade e promover a saúde a longo prazo.
Profissional consultada: Dra. Bruna de Paula, pediatra idealizadora do Método Comer.
Texto por: Francisco Varkala | Redação Saúde Minuto