Por que ficamos com tontura ao levantar rápido demais?
- Fabricio Colli
- 29/01/2025
- Curiosidades
Ao levantar rapidamente de uma posição deitada ou sentada, muitas pessoas experienciam uma sensação de tontura. Esse sintoma é um fenômeno fisiológico resultante de reflexos do sistema circulatório e do cérebro, quadro denominado como hipotensão ortostática.
A hipotensão ortostática (ou postural) é uma condição caracterizada pela queda da pressão arterial quando a pessoa, que está deitada ou sentada, se levanta rapidamente para a posição em pé. Em situações normais, ao mudar de posição, o sangue tende a se acumular nas pernas devido à gravidade, o que pode diminuir momentaneamente o fluxo de sangue para o coração e, consequentemente, a pressão arterial.
O corpo geralmente compensa essa mudança de forma automática, mas em pessoas com hipotensão ortostática, essa compensação não acontece de forma rápida, eficiente ou suficiente.
Ficar “zonzo” ao se levantar é um sintoma relativamente comum, especialmente em idosos, e não deve ser motivo de preocupação, principalmente se isso for algo ocasional e desaparecer rapidamente quando a pessoa se estabiliza após se levantar. No entanto, alguns sinais de alerta merecem atenção:
- tontura intensa ou que demora para passar;
- episódios frequentes e sem motivo claro (como mudança rápida de posição ou calor excessivo);
- sensação de pré-desmaio ou desmaio (mesmo que leve);
- sintomas associados como dor no peito, batedeira, falta de ar e fraqueza generalizada
Nessas situações, é importante procurar um médico para uma avaliação mais detalhada.
Principais causas
“Entre as causas mais comuns para essa tontura, destacam-se: a desidratação, que diminui o volume de sangue no corpo, o uso de medicações que podem afetar a regulação da pressão arterial, problemas cardíacos que dificultem o bombeamento eficiente do sangue, e distúrbios que afetam os nervos responsáveis pelo controle da pressão arterial como ocorre no diabete e doença de Parkinson.” Explica a Dr.ᵃ Luciana Vidal, cardiologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).
Arritmias e insuficiência cardíaca podem ser agravantes da hipotensão ortostática. As arritmias cardíacas, distúrbios no ritmo do coração, podem se manifestar como frequências cardíacas muito rápidas ou muito lentas. Em ambos os casos, isso pode afetar a pressão arterial por reduzir a eficiência do coração em bombear sangue.
Já a insuficiência cardíaca, é uma condição que impede o coração de bombear sangue de forma eficaz para atender às necessidades do corpo. A especialista esclarece que isso também pode afetar a pressão arterial, pois o volume de sangue que chega ao cérebro e outros órgãos diminui. Muitas vezes, leva também a alterações no sistema nervoso autônomo (que regula funções como a pressão arterial), o que pode interferir na capacidade do corpo de se ajustar rapidamente à mudança de posição, resultando em hipotensão ortostática.
Como proceder?
Segundo a Dr.ᵃ Luciana Vidal, para avaliar a função cardiovascular em pacientes com hipotensão ortostática, uma abordagem clínica abrangente é necessária, pois essa condição pode ter várias causas, incluindo disfunções cardíacas, neurológicas e vasculares.
A escolha dos exames depende da história clínica do paciente, dos sintomas específicos e da suspeita diagnóstica. Em muitos casos, uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem é necessária para um diagnóstico preciso.
Dicas para evitar tonturas frequentes
As dicas para quem sofre de hipotensão ortostática são: levantar-se devagar, especialmente pela manhã, sentar-se por alguns segundos antes de se levantar e evitar mudanças bruscas de posição. O uso de meias elásticas pode melhorar o retorno venoso ao coração, reduzindo a queda da pressão arterial ao levantar-se. Em alguns casos, medicamentos podem ser necessários, especialmente quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes.
Em pacientes com doenças cardíacas, a prevenção de episódios de hipotensão ortostática envolve uma abordagem personalizada, considerando a complexidade da condição cardiovascular do paciente.
Profissional consultada: Dr.ᵃ Luciana Vidal, cardiologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC)
Texto por: Fabricio Colli | Redação Saúde Minuto