Estrogênio pode retardar envelhecimento de órgãos vitais e beneficiar mulheres após a menopausa
- Elise Aidar
- 18/07/2025
- Bem-estar Saúde
Evidências recentes indicam que a reposição hormonal com estrogênio, quando iniciada durante a transição menopausal ou logo após ela, pode desacelerar o envelhecimento do cérebro, do sistema imunológico, do fígado e das artérias. Os dados reforçam que a terapia hormonal é uma importante aliada da saúde feminina desde que administrada no momento adequado. O médico cardiologista e escritor Eric Topol em seu mais recente artigo “Novas Evidências Sobre o Papel Antienvelhecimento do Estrogênio,” analisa como a percepção negativa sobre a terapia hormonal surgiu e se consolidou ao longo dos anos, destaca sua importância atual e evidencia pesquisas que indicam que o estrogênio pode retardar o envelhecimento de órgãos vitais.
Segundo Topol, o que levou a comunidade médica e a população ter uma percepção negativa da terapia hormonal foi um erro crucial na faixa etária das participantes da pesquisa da Iniciativa da Saúde da Mulher (em inglês, Women’s Health Initiative – WHI) voltada à saúde da mulher na pós-menopausa, conduzida pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Em 2002, a WHI publicou resultados preliminares de um estudo que indicava que a terapia de reposição hormonal com estrogênio e progesterona combinados aumentava o risco de doenças cardíacas, derrames e câncer de mama em mulheres no período pós-menopausal. A notícia de um “aumento significativo no risco de câncer de mama invasivo” causou alarme, levando a uma queda drástica nas prescrições de terapia hormonal em todo o mundo. Apesar disso, o aumento do risco, embora estatisticamente significativo, foi relativamente pequeno na prática. Por exemplo, para o câncer de mama invasivo, houve um aumento de 26% no risco relativo, o que significa 8 casos a mais para cada 10 mil mulheres por ano, conforme aponta Topol. O cardiologista americano destaca que, na época, a idade das participantes não foi considerada como um fator de modificação. A maioria das mulheres envolvidas na pesquisa tinham, em média, 63 anos – ou seja, mais de uma década após o início da menopausa. Esse fator foi determinante para os resultados negativos encontrados, o que, segundo Topol, é “a grande falha da pesquisa.” Topol destaca que os riscos adversos associados à terapia hormonal foram principalmente observados na combinação de estrogênio com progesterona. “Esses resultados refletem tendências semelhantes às encontradas em estudos anteriores, como o Heart and Estrogen/progestin Replacement Study (HERS), que avaliou mulheres com idade média de 67 anos,” afirma o médico.
Um segundo estudo do WHI realizado com estrogênio isolado em 2004, apresentou resultados diferentes e com menos riscos, porém por também ter sido conduzido com mulheres já na menopausa por 10 anos ou mais, reforçou a ideia de que o momento em que a terapia é iniciada faz toda a diferença. A questão é que mulheres que estão próximas do início da menopausa, tendem a apresentar benefícios da terapia hormonal que foram ofuscados pelo perfil das participantes do estudo da WHI que repercutiu negativamente. Topol argumenta que, cientificamente, “o timing certo é tudo.” Ou seja, iniciar o tratamento em um momento adequado pode ser decisivo para garantir melhores resultados na proteção contra o envelhecimento de órgãos vitais e na prevenção de doenças. O médico aponta que análises recentes da WHI indicam que “iniciar a terapia hormonal com estrogênio e progesterona antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa reduz o risco cardiovascular e a mortalidade geral.” Esse conceito é conhecido como a “hipótese do endotélio saudável”, reforçando a importância do momento da intervenção para equilibrar os níveis hormonais e proteger vasos e coração. Em seu artigo, o cardiologista destaca dados publicados na Aging Cell, que analisou mais de 500 mil participantes do UK Biobank.
Entre os nove medicamentos associados à redução da mortalidade por todas as causas, quatro eram à base de estrogênio. Para Topol, esse dado reforça os possíveis efeitos protetores do estrogênio. Ele também menciona um estudo publicado no The Lancet Oncology, que avaliou quase 460 mil mulheres com idade média de 42 anos. Os resultados mostraram que o estrogênio isolado esteve relacionado a uma redução no risco de câncer de mama de início precoce, enquanto a combinação com progesterona apresentou risco aumentado, o que, segundo Topol, está em linha com os achados anteriores da WHI. Um estudo recente publicado na revista Nature Medicine utilizou uma técnica avançada chamada proteômica para criar “relógios biológicos”, ferramentas capazes de medir o envelhecimento de órgãos específicos. Topol destaca que, segundo esse estudo, a reposição de estrogênio está associada a um envelhecimento mais lento do sistema imunológico, do fígado e das artérias.
Os benefícios também aparecem, embora de forma menos intensa, no cérebro, rins e pulmões. Os estudos recentes e as análises do cardiologista Eric Topol trazem novos olhares à terapia hormonal e reforçam que esse tratamento, especialmente o uso de estrogênio isolado, pode trazer importantes benefícios para a saúde e retardar o envelhecimento de órgãos vitais quando iniciado antes dos 60 anos ou dentro dos 10 anos após o início do período menopausal. Se você está passando pela menopausa, converse com seu médico sobre a possibilidade de fazer uso da terapia hormonal e tire suas dúvidas para tomar a melhor decisão para sua saúde.