Mitos e verdades sobre o uso de antibióticos
- Gabriel Simoes
- 05/11/2025
- Medicamentos Saúde
Tomar antibióticos parece simples, mas seu uso incorreto pode trazer sérias consequências. Desde a falha no tratamento até o aumento da resistência bacteriana, um dos principais desafios da saúde pública mundial. Mas afinal, o que é verdade e o que é mito quando o assunto é antibiótico?
Para esclarecer as principais dúvidas, conversamos com o Dr. André Doi, médico patologista clínico e diretor científico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
Por que é importante tomar o antibiótico no horário certo?
Manter horários regulares é essencial para o sucesso do tratamento.
“Quando o paciente toma o antibiótico corretamente, a concentração do remédio no sangue se mantém estável, o que aumenta sua eficácia e reduz o risco de falhas ou de resistência bacteriana”, explica o Dr. Doi.
Alterar ou atrasar as doses pode comprometer o resultado do tratamento.
Beber álcool corta o efeito do antibiótico?
Nem sempre, mas é melhor evitar.
O álcool não cancela o efeito do medicamento, mas pode potencializar os efeitos colaterais, como náuseas, tontura e mal-estar, atrapalhando a adesão ao tratamento.
“Alguns antibióticos, como metronidazol, tinidazol e secnidazol, não devem ser usados com bebida alcoólica, pois podem causar reações graves, semelhantes às do dissulfiram”, alerta o médico.
Posso usar antibióticos junto com outros medicamentos?
Depende da combinação.
Alguns remédios de uso contínuo podem interagir com antibióticos e causar efeitos indesejados. “Antibióticos podem aumentar o risco de sangramento em quem usa varfarina, ou potencializar efeitos musculares de estatinas. Já antiácidos, ferro e zinco podem reduzir a absorção de tetraciclinas e quinolonas”, explica o Dr. Doi.
Por isso, sempre informe ao médico ou farmacêutico todos os medicamentos que estiver usando.
O antibiótico corta o efeito do anticoncepcional?
Na maioria dos casos, não.
“Apenas alguns antibióticos, como rifampicina e rifabutina, podem reduzir a eficácia da pílula anticoncepcional”, afirma o especialista.
Ele ressalta ainda que episódios de vômito ou diarreia intensa causados pelo antibiótico também podem atrapalhar a absorção do anticoncepcional, comprometendo sua proteção.
E se eu tomar o antibiótico e vomitar? Preciso repetir a dose?
Depende do tempo entre a ingestão e o episódio de vômito.
“Cada tipo de antibiótico tem uma orientação específica. O ideal é que o paciente não repita a dose por conta própria e consulte o médico ou farmacêutico para saber o que fazer”, orienta Doi.
Interromper o tratamento antes do fim faz mal?
Sim, e muito!
Parar o antibiótico antes do tempo pode deixar a infecção parcialmente tratada e favorecer o surgimento de bactérias resistentes.
“Mesmo que os sintomas desapareçam, o tratamento deve ser seguido até o fim. Só o médico pode ajustar a duração do uso”, reforça o especialista.
Usar antibióticos com frequência causa resistência bacteriana?
Sim.
Conforme o Dr. Doi, cada uso seleciona bactérias mais resistentes, tanto no corpo quanto na comunidade.
“Os antibióticos não atuam apenas nas bactérias que causam a infecção, mas também afetam a nossa microbiota natural. Estudos evidenciam que, após o primeiro uso, a composição da microbiota nunca volta exatamente ao estado original”, explica.
Tomar muito antibiótico prejudica a flora intestinal?
Sim.
O uso excessivo pode causar disbiose, um desequilíbrio na microbiota intestinal que altera o funcionamento do organismo.
“Esse desequilíbrio pode favorecer a proliferação de alguns microrganismos em detrimento de outros, impactando diretamente a saúde”, destaca Doi.
O uso racional é o melhor remédio
A resistência bacteriana é considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das dez maiores ameaças à saúde global.
Por isso, o uso de antibióticos deve ser feito apenas com prescrição médica, seguindo corretamente o tempo e a dosagem indicados.
Cuidar bem do presente é a única forma de garantir que esses medicamentos continuem eficazes no futuro.