Quem sente mais prazer no sexo anal: homens ou mulheres?
- Redação Saúde Minuto
- 19/12/2025
- Assuntos Delicados
Estudo ajuda a desmontar tabus e mostra que prazer anal não depende de gênero, mas de corpo, contexto e desejo
O sexo anal ainda é cercado de tabus, tanto no campo social quanto no da saúde sexual. Um estudo recente da Oxford Academy ajuda a ampliar essa discussão ao investigar uma pergunta comum, e muitas vezes carregada de julgamentos: quem sente mais prazer com o sexo anal, homens ou mulheres?
O estudo revela que homens e mulheres vivenciam o sexo anal de formas diferentes, mas igualmente legítimas. Ao trazer esses dados à tona, o estudo contribui para tirar o sexo anal do campo do tabu e colocá-lo no lugar que lhe cabe: o de uma prática sexual possível, para quem deseja, que pode envolver prazer, limites, escolhas e cuidado.
A pesquisa ouviu cerca de mil pessoas, entre homens e mulheres cisgênero, de diferentes idades e orientações sexuais. Os resultados mostram que as mulheres relataram ter praticado sexo anal receptivo com mais frequência do que os homens. Já quando o recorte é o orgasmo obtido apenas com a penetração anal, sem outro tipo de estímulo, os homens relataram essa experiência com maior frequência do que as mulheres. Ainda assim, quase metade de ambos os grupos afirmou precisar de coestimulação, como toque genital ou em outras regiões do corpo, para chegar ao orgasmo.
Um ponto central do estudo ajuda a entender essas diferenças: a anatomia. Nos homens, a próstata, muitas vezes chamada de “ponto P”, pode ser estimulada pelo ânus e está associada a orgasmos descritos como intensos e profundos, muitas vezes diferentes do orgasmo com ejaculação. Isso não significa que todos os homens sintam prazer com esse tipo de estímulo, mas ajuda a explicar por que uma parcela relata orgasmos anais mais facilmente. Ainda assim, o tabu pesa: muitos homens evitam falar ou explorar essa possibilidade por medo de julgamentos ligados à masculinidade, ou à orientação sexual.
Entre as mulheres, o prazer anal existe, mas costuma estar mais associado à combinação de estímulos. O estudo mostrou que a região anterior e superficial do reto é apontada como a mais prazerosa por homens e mulheres, uma área próxima à vagina e ao clitóris, no caso feminino. Isso reforça a ideia de que o prazer anal, para muitas mulheres, se integra a uma experiência sexual mais ampla, e não necessariamente isolada.
Talvez o dado mais importante seja este: o prazer anal não pertence a um gênero, orientação ou identidade específica. Pessoas heterossexuais, gays, bissexuais, homens, mulheres e pessoas trans relataram experiências variadas, que vão do muito prazer ao total desinteresse. E isso também é normal. Nem todo corpo responde da mesma forma, nem todo desejo é igual, e não existe obrigação de gostar ou praticar.
Falar sobre sexo anal de forma honesta e sem preconceito é uma forma de ampliar o cuidado com a saúde sexual. A prática exige atenção: uso de preservativo, lubrificação adequada e respeito aos limites. Mas também pode ser fonte de prazer para quem deseja explorá-la. No fim das contas, a pergunta talvez não seja quem sente mais prazer, mas sim: como cada pessoa pode conhecer melhor o próprio corpo e viver a sexualidade com mais autonomia, segurança e prazer.