Divã Saúde Minuto | Rivalidade Feminina
- Redação Saúde Minuto
- 03/03/2022
- Divã Saúde Minuto Valéria Amodio Video
Mulher não é amiga de mulher? Amizade entre homem e mulher é mais verdadeira do que amizade feminina? Rivalizar é algo intrínseco à realidade feminina? No Divã Saúde Minuto, Raquel Rojas entrevistou a psicanalista Valéria Amodio, que falou um pouco mais sobre o que é e de onde vem a tão incentivada rivalidade feminina.
Raquel Rojas:
O papo hoje é de mulher pra mulher, no Divã Saúde Minuto nós vamos abordar um tema que gera um certo desconforto no clube da Luluzinha, rivalidade feminina. Para falar sobre esse tema, eu recebo uma mulher poderosa, a nossa colunista e psicanalista, Valéria Amodio. Seja mais uma vez muito bem-vinda ao Divã Saúde Minuto, Valéria.
Psicanalista, Valéria Amodio:
Obrigada Raquel, é um tema super gostoso, importante a gente falar ainda mais com uma outra mulher superpoderosa.
P) Raquel Rojas:
Obrigada. Valéria, rivalizar faz parte da natureza feminina, isso é verdade ou não?
R) Psicanalista, Valéria Amodio:
Não, rivalizar é algo cultural, se a gente for estudar povos, tem povos que as mulheres ajudam muito as outras, a cuidar dos filhos, a ir atrás de alimento e tudo isso. Então essa coisa da rivalidade é algo cultural, não tem a ver com natureza feminina, nem no mundo animal a gente vê isso
P) Raquel Rojas:
Agora tem uma pergunta que eu queria te fazer que é o seguinte, é verdade mesmo que a mulher ela se veste pra outra mulher, ela enfim, ela se apresenta pra uma outra mulher ou não? isso é fake?
R) Psicanalista, Valéria Amodio:
Tem mulheres que acham que se vestem, né? Eu acho que a gente vê bastante isso acontecer e pensando nessa coisa de competição, de uma estar mais bonita que a outra, estar mais exuberante que a outra e tal, Então a gente vê ainda isso, eu tenho visto que está mudando um pouco esse comportamento, eu tenho sentido assim e mais uma vez ,é cultural, mas é verdade, existe ainda, né?
P) Raquel Rojas:
A gente escuta um termo que é o sororidade, primeiro eu quero que você explique o que é sororidade, e eu queria saber também se você acha que a sororidade é só mais um termo ou se você sente que realmente isso existe entre nós mulheres?
R) Psicanalista, Valéria Amodio:
Sororidade vem de soro que é do latim, é a irmandade. A gente ouve muito falar em fraternidade que vem do que é dos homens, essa união dos homens, deles se protegerem, de serem um grupo unido que se protege em relação a várias coisas.
E aí a sororidade é essa mesma relação das mulheres, que é algo que a gente tem ouvido de novo, a gente tem visto bastante até grupos falando disso, algumas ainda ficam de uma forma contra o homem, mas tem muita coisa, a gente tá vendo muitos grupos muito positivos, crescendo bastante.
P) Raquel Rojas:
Valéria, você acha que hoje as mulheres elas estão mais unidas, elas se apoiam mais ou não?
R) Psicanalista, Valéria Amodio:
Sim, acho que hoje elas estão, está vindo muito essa bandeira da gente se apoiar, abrindo os nossos olhos pra isso, antigamente a gente via muito mulheres se apoiando, quando uma mulher tinha filho, por exemplo, eram as outras mulheres que cuidavam dela, e hoje ainda a gente vê a mulher muito sozinha quando tem um filho. Então, tem alguns algumas situações que estão se apoiando muito no mercado de trabalho, muito nessa proteção em relação até a a violência e tudo mais, mas acho que ainda falta muita coisa que antigamente existia mas era de uma forma talvez um pouco mais natural e aceita e talvez um pouco menos vista, porque era muito mais em ambientes mais fechados, nas famílias e tal.
P) Raquel Rojas?
Bom, a mulher sempre lutou e ainda luta pela liberdade. Você acha que ainda existe por parte da mulher, um julgamento ainda machista em relação a outra mulher, como é que você enxerga isso?
R) Psicanalista, Valéria Amodio:
Sim, com certeza ainda há muito esse julgamento machista na nossa sociedade, também nos homens e nas mulheres, e muitas vezes, mais até nas mulheres a gente enxerga. Mas eu acho que também é uma coisa meio que inconsciente. É muito legal você ter trazido isso aqui, pra gente poder falar e fazer as pessoas refletirem, porque é cultural, se a gente for pensar por que nasce, da onde nasceu essa rivalidade? Nasceu da coisa assim, que o homem escolhe a mulher, lá atrás ainda existe um pouco, mas assim, hoje a gente escolhe, a gente fala assim, a gente fala não. Meu corpo, minhas regras, enfim. Então, assim, os homens, por exemplo, em um bailinho, a gente via muito isso, no bailinho o homem que escolhia e tirava a mulher pra dançar, a outra ficava lá sentada e podia ser que não dançasse nunca, naquele baile inteiro ninguém tirava ela pra dançar, então daí surgiu um pouco essa coisa da rivalidade, a gente era colocada até em uma forma meio quase que grotesca, mas é como se a gente fosse produtos em prateleiras e a o homem fosse lá escolher. Então é o objeto do outro e hoje não, nós somos sujeitos como a gente fala, somos pessoas que tem que ser respeitadas e temos os nossos desejos, o nossos gostos, o que a gente quer, o que a gente não quer, então isso já é um um grande avanço
P) Raquel Rojas:
E eu acho que é muito importante que a gente se apoie, e que a gente respeite também a posição da outra, a roupa que ela quer vestir, com quem ela quer namorar, enfim, os desejos que ela tem. Acho que o respeito tem que permear toda a relação, não é Valéria?
R) Psicanalista, Valéria Amodio:
Sim, e a gente consegue respeitar quando a gente se coloca no lugar do outro, quando a gente tem empatia. Então vamos sempre pensar que somos todas mulheres passando pelas dificuldades a gente ainda luta com essa coisa do machismo e não estou falando aqui de lutar contra homem, nada disso é uma cultura que está dentro da gente, então nós estamos com nós mesmos, então é muito importante a gente olhar o outro quando a gente julgar a outra a gente olhar por que eu estou falando isso, só porque ela usa aquela saia, só porque o decote não sei o que, o que isso pode fazer de mal na sociedade, pode fazer de mal pra mim, o que isso realmente influencia na nossa vida,
P) Raquel Rojas:
muitas vezes até rotular, quer dizer, às vezes a mulher é mais bonita, ou é mais inteligente e infelizmente, existe essa comparação que a gente tem que romper , deconstruir tudo isso. Você já falou da questão que o homem é menos, ele se protege mais, mas eu queria falar um pouquinho sobre isso. Você acha que nós, mulheres , somos menos unidas? Somos mais desunidas do que os homens?
R) Psicanalista, Valéria Amodio:
Acontece muito, ás vezes a gente vê mulheres casadas e que não querem que o marido fique próximo de uma mulher assim, ou bonita ou que é bem sucedida, é algo muito que se for pensar o que uma coisa tem a ver com a outra? Então assim, eu acho importante a gente falar que isso aí seria uma inveja, né? A inveja vem da onde? A inveja vem da admiração, então ao invés de transformar isso em inveja, por que não admira, ver como ela conseguiu, ou o que ela conquistou ali, e se juntar essa mulher, crescer junto ou pegar como referência também. Fazer o seu crescimento dentro das suas possibilidades, todo mundo pode, a verdade é essa, agora essa rivalidade é boba.
P) Raquel Rojas:
Galera, agora como quebrar? Como fortalecer esse laço feminino e o que a gente tem que fazer pra desconstruir essa rivalidade toda?
R) Psicanalista, Valéria Amodio:
É com o coração, na verdade tendo amor, olhar pra outra mulher com amor e lembrando todas nós mulheres viemos de conquistas, estamos em uma conquista aí e a gente sabe o que a gente passa, cada uma de nós, a gente sabe qual é a dificuldade seja no mercado de trabalho, seja em relacionamento… tudo que a gente está lutando pra conseguir, lutando assim de conquista mesmo, né?
Como uma luta interna nossa. Então, olhar pra outra mulher e se reconhecer na outra mulher. Eu acho que esse é o primeiro passo, a gente se reconhecer e entender que unidos a gente consegue muito mais, vai ser melhor pra todo mundo, inclusive pros homens, pra sociedade, pros filhos, pras novas crianças, então, pensando que a união realmente a gente vai multiplicar essa força nossa e vai ser melhor para todo mundo, para todas nós.
Raquel Rojas:
Valéria, é sempre um prazer te receber, muito obrigada por mais uma vez nos dar essa aula e a gente se encontra no outro divã Saúde Minuto.
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