Dia Internacional da Cefaleia em Salvas: acupuntura amplia as possibilidades de tratamento da dor mais intensa da medicina
- Redação Saúde Minuto
- 23/03/2026
- Acupuntura Cefaleia Saúde
Especialista explica os sintomas da condição e como a acupuntura pode ajudar no controle das crises
Considerada uma das dores mais intensas já descritas na medicina, a cefaleia em salvas ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com outras condições. A doença é rara, mas impacta milhares de pessoas: segundo estimativas atualizadas da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), mais de 300 mil brasileiros convivem com a condição. O tema ganha destaque em 21 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Cefaleia em Salvas, data dedicada à conscientização e à redução do tempo de diagnóstico dessa condição extremamente incapacitante.
A cefaleia em salvas é uma cefaleia primária, ou seja, não é causada por tumores, infecções ou outras doenças estruturais. Ela pertence ao grupo das chamadas cefaleias trigêmino-autonômicas e se caracteriza por crises de dor extremamente intensa, geralmente concentradas ao redor de um dos olhos e sempre de um lado da cabeça.
“A cefaleia em salvas ganhou o apelido de ‘a pior dor da medicina’ porque realmente pode ser insuportável. É uma dor lancinante, perfurante e totalmente incapacitante durante as crises”, explica o médico Dr. Eduardo Guilherme D’Alessandro (CRM-SP 116.019), especialista em Clínica Médica, Acupuntura e com Área de atuação em Medicina da Dor (RQE 50.147 – Acupuntura | RQE 501.461 – Medicina da Dor | RQE 88.991 – Clínica Médica), e membro do CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
As crises costumam durar entre 15 minutos e três horas e podem ocorrer várias vezes ao dia, formando ciclos chamados de “salvas”, que podem persistir por semanas ou meses. Durante esse período, os episódios se repetem com frequência e, muitas vezes, aparecem no mesmo horário do dia, inclusive durante a madrugada.
Além da dor intensa, o quadro apresenta sinais característicos no mesmo lado da cabeça, como lacrimejamento, olho vermelho, congestão nasal, pálpebra caída ou inchada e sudorese facial. Outro aspecto marcante é o comportamento do paciente durante a crise.
“Diferentemente da enxaqueca, em que a pessoa prefere ficar em repouso, o paciente com cefaleia em salvas costuma ficar extremamente agitado. Ele anda, se movimenta e não consegue permanecer parado por causa da agitação que acompanha o quadro de dor”, explica o especialista.
Apesar das características bem definidas, o diagnóstico ainda costuma demorar. Estudos apontam que entre 40% e 50% dos pacientes são inicialmente tratados como se tivessem sinusite, enxaqueca ou até problemas dentários.
“O atraso no diagnóstico significa anos de sofrimento desnecessário. Quando o paciente finalmente entende o que tem, conseguimos direcionar melhor o tratamento, orientar sobre gatilhos e reduzir o impacto das crises”, afirma o médico.
Entre os fatores que podem desencadear episódios durante o período ativo da doença estão álcool, privação de sono, jejum prolongado, cheiros fortes e alterações no ritmo circadiano, o chamado relógio biológico do organismo.
O tratamento tradicional inclui medicamentos específicos para interromper as crises de dor e terapias preventivas utilizadas nos períodos de salvas com objetivo de espaçar ou mesmo evitar as crises de cefaleia. Nos últimos anos, porém, abordagens não farmacológicas também têm ganhado espaço no manejo da doença, entre elas a acupuntura.
“A acupuntura atua modulando sistemas neuroquímicos relacionados à dor. Estudos demonstram liberação de endorfinas, serotonina e ativação de vias descendentes que reduzem a percepção dolorosa”, explica o Dr. Eduardo.
Segundo o especialista, a técnica pode atuar como terapia complementar, contribuindo para reduzir a intensidade das crises, espaçar os episódios e melhorar o equilíbrio do sistema nervoso autônomo, envolvido em sintomas como lacrimejamento e congestão nasal.
“A acupuntura ajuda a melhorar o sono, reduzir ansiedade e equilibrar o sistema nervoso. Como a cefaleia em salvas tem forte componente cronobiológico, melhorar o padrão de sono é uma estratégia importante no cuidado desses pacientes”, afirma.
Embora não substitua necessariamente os tratamentos convencionais, a abordagem integrativa amplia as possibilidades terapêuticas e pode contribuir para uma melhor qualidade de vida.
“A cefaleia em salvas é rara, mas extremamente incapacitante. Informar a população e reduzir o tempo até o diagnóstico é fundamental para evitar anos de sofrimento e permitir que essas pessoas recebam o tratamento adequado”, conclui o médico.
Texto por: Dr. Eduardo Guilherme D’Alessandro