Mofo faz mal? A resposta é mais séria do que parece
- Redação Saúde Minuto
- 26/07/2026
- Curiosidades Saúde
Você limpa a casa, tira o pó, abre as janelas… mas a rinite não melhora? A culpa pode estar em um vilão silencioso que vive escondido nas paredes, atrás do guarda-roupa ou no teto do banheiro: o mofo.
Muito além das manchas escuras que deixam a casa com aparência de abandono, ele libera milhões de partículas invisíveis que ficam suspensas no ar e podem provocar crises alérgicas, piorar doenças respiratórias e até causar problemas mais sérios nos pulmões.
Segundo a pneumologista Karla Curado, do Centro Clínico Órion Complex, o mofo é formado por colônias de fungos que adoram ambientes úmidos, abafados e com pouca ventilação.
“Esses fungos liberam esporos, partículas microscópicas que são inaladas sem que a pessoa perceba. Em quem tem maior sensibilidade, elas podem desencadear inflamações e alergias nas vias respiratórias”, explica a especialista.
Por que o mofo faz tão mal?
Na natureza, os fungos têm um papel importante: ajudam a decompor matéria orgânica e reciclar nutrientes. O problema começa quando eles invadem o ambiente onde você mora.
Ao serem respirados, os esporos entram pelo nariz e podem irritar todo o sistema respiratório.
Os primeiros sinais costumam ser espirros, nariz entupido, coceira e tosse. Mas, se a exposição for frequente, o problema pode evoluir para crises de rinite, asma, sinusite, bronquite e, em casos mais graves, provocar uma inflamação pulmonar conhecida como pneumonite por hipersensibilidade.
A exposição prolongada também pode favorecer irritação nos olhos, dor de garganta, dermatites, cansaço constante e, em situações mais raras, até fibrose pulmonar.
Quem corre mais risco?
Qualquer pessoa pode sofrer com o mofo, mas alguns grupos precisam redobrar a atenção:
- Crianças
- Idosos
- Pessoas com rinite
- Asmáticos
- Quem tem imunidade baixa
- Pessoas com doenças respiratórias crônicas
Muitas vezes, os sintomas aparecem apenas dentro de determinados cômodos da casa, como quartos, banheiros, lavanderias ou ambientes com infiltração.
É por isso que tratar apenas a tosse ou a rinite nem sempre resolve o problema. Em muitos casos, o verdadeiro tratamento começa nas paredes da casa.
Não adianta só limpar o mofo
Passar água sanitária ou pintar a parede pode até esconder o problema por algum tempo, mas dificilmente elimina sua causa.
Segundo Glênio Forte, da Rede da Construção Fortecon, quando existe infiltração ou excesso de umidade, o mofo tende a voltar rapidamente.
“O ideal é corrigir a origem da umidade. Impermeabilizar durante a construção custa muito menos do que consertar os danos depois”, explica.
Nas casas já prontas, produtos como tintas antimofo, impermeabilizantes e revestimentos específicos podem ajudar, mas somente quando o problema estrutural também é resolvido.
Além disso, manter os ambientes ventilados, permitir a entrada de luz natural e evitar o acúmulo de água em telhados, calhas e lajes são medidas que fazem diferença.
Sinais de que o mofo pode estar afetando sua saúde
Se os sintomas aparecem ou pioram quando você está em casa, vale a pena investigar.
Fique atento a:
- Espirros frequentes
- Nariz entupido ou escorrendo
- Coceira no nariz, olhos ou garganta
- Tosse persistente
- Chiado no peito
- Falta de ar
- Aperto no peito
- Dor de cabeça frequente
- Irritação nos olhos
- Cansaço sem explicação
- Falta de ar mesmo em pequenos esforços
Se esses sintomas persistirem, principalmente em ambientes com bolor ou infiltração, procure avaliação médica. Resolver o problema pode significar não apenas melhorar a aparência da casa, mas também respirar melhor e proteger a saúde de toda a família.
Texto por: Dra. Karla Curado, do Centro Clínico Órion Complex