Endometriose em foco no Março Amarelo: Acupuntura como aliada no tratamento
- Redação Saúde Minuto
- 27/03/2026
- Acupuntura Endometriose Saúde
Especialista explica como a acupuntura pode ajudar no controle da dor, na modulação da inflamação e na melhora da qualidade de vida de mulheres com endometriose.
O mês de março é marcado pela campanha Março Amarelo, que busca ampliar a conscientização sobre a endometriose, doença ginecológica inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. A mobilização tem como objetivo incentivar o diagnóstico precoce, combater a normalização da dor menstrual intensa e ampliar o acesso à informação sobre tratamento. O dia 13 de março é reconhecido como o Dia Mundial de Luta contra a Endometriose.
Dados recentes do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram o avanço na assistência às pacientes com a doença. Houve aumento de 30% nos atendimentos relacionados ao diagnóstico de endometriose, passando de 115.131 em 2022 para 144.971 em 2024.
A endometriose ocorre quando células semelhantes ao endométrio, tecido que reveste o interior do útero, passam a crescer fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, ligamentos pélvicos e até estruturas como intestino ou bexiga. Esse tecido ectópico responde aos estímulos hormonais do ciclo menstrual, provocando inflamação, sangramento e, em alguns casos, formação de fibroses e aderências.
Segundo o médico acupunturista Prof. Dr. Sidney Brandão (CRM-SP 58259 | RQE 87098), presidente do Colégio Médico de Acupuntura de São Paulo (CMAeSP), uma das teorias para o surgimento da doença é a chamada menstruação retrógrada, quando células do endométrio retornam pelas trompas e se instalam na cavidade abdominal.
“Essas células continuam funcionando como o endométrio do útero: crescem, respondem ao ciclo menstrual e podem gerar inflamação e aderências em diferentes regiões da pelve”, explica.
Entre os sintomas mais comuns estão cólica menstrual intensa (dismenorreia), dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual (dispareunia) e infertilidade. De acordo com o especialista, cerca de 40% dos casos de dor pélvica crônica estão associados à endometriose.
“A dor depende muito da localização e da extensão dessas lesões. Quando há inflamação e formação de aderências, os movimentos naturais de órgãos como intestino e bexiga podem provocar dor intensa”, afirma.
Além dos sintomas físicos, a doença pode provocar impacto significativo na saúde emocional e na qualidade de vida das pacientes. “A dor crônica interfere diretamente no humor. Muitas mulheres ficam irritadas, deprimidas e têm prejuízos na vida social, profissional e nas relações pessoais”, destaca o médico.
Dentro de uma abordagem integrativa, a acupuntura, técnica da medicina tradicional chinesa, pode atuar como uma aliada importante no manejo dos sintomas da endometriose, especialmente no controle da dor e na modulação da inflamação.
De acordo com o Prof. Dr. Sidney Brandão, a medicina chinesa interpreta a doença como resultado de desequilíbrios energéticos envolvendo diferentes sistemas do organismo, frequentemente relacionados aos sistemas energéticos associados ao fígado e ao baço.
“A acupuntura trabalha justamente para restaurar esse equilíbrio funcional. Quando conseguimos regular essas funções, conseguimos também melhorar o controle da dor e reduzir o processo inflamatório”, explica.
O estímulo dos pontos de acupuntura ativa mecanismos neurológicos e bioquímicos do próprio organismo, promovendo a liberação de mediadores anti-inflamatórios e substâncias analgésicas naturais, o que contribui para reduzir a dor e melhorar o funcionamento do organismo como um todo.
“No tratamento com acupuntura, conseguimos uma analgesia bastante significativa e um melhor controle do processo inflamatório. Isso ajuda a diminuir a intensidade das cólicas, da dor pélvica e também da dor durante a relação sexual”, afirma.
Segundo o especialista, outro benefício observado na prática clínica é a redução do uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.
“Quando estimulamos a produção de mediadores anti-inflamatórios do próprio organismo, conseguimos controlar a inflamação de forma mais duradoura. Diferentemente de alguns medicamentos, não há efeito rebote. Muitos pacientes acabam reduzindo significativamente o uso de analgésicos”, explica.
Além do controle da dor, a acupuntura também pode contribuir para equilibrar o sistema hormonal, modular o sistema imunológico e melhorar sintomas associados, como fadiga, ansiedade, irritabilidade e alterações do sono.
“Quando equilibramos o organismo, há melhora na regulação hormonal, na qualidade do sono, no humor e na disposição geral da paciente. Com menos dor e melhor qualidade de vida, o impacto emocional da doença também diminui”, destaca o médico.
A técnica pode ser indicada em diferentes momentos do tratamento, especialmente para pacientes com dor persistente, intolerância a medicamentos ou comprometimento importante da qualidade de vida.
Texto por: Prof. Dr. Sidney Brandão