AVC pode começar em silêncio: o risco escondido nas artérias do pescoço que muita gente ignora
- Redação Saúde Minuto
- 11/05/2026
- AVC Saúde
Mais de 85 mil brasileiros morreram por acidente vascular cerebral (AVC) só em 2025. O dado é do Ministério da Saúde e acende um alerta importante: em muitos casos, o problema começa bem antes, de forma silenciosa, nas artérias do pescoço.
Sim, você pode estar em risco sem saber.
As chamadas artérias carótidas são responsáveis por levar sangue ao cérebro. Quando elas sofrem alterações, como o acúmulo de gordura nas paredes, o fluxo pode ser comprometido e abrir caminho para um AVC, muitas vezes sem dar sinais claros Segundo o cirurgião vascular Dr. Edwaldo Joviliano, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), o grande perigo está justamente aí. A doença carotídea costuma evoluir sem sintomas. Em muitos casos, o paciente só descobre quando já apresenta sinais neurológicos ou até depois de um AVC.
Entre os quadros mais comuns está a estenose carotídea, um estreitamento das artérias causado por placas de gordura. Esse processo pode reduzir a passagem do sangue ou formar coágulos que se deslocam até o cérebro. É assim que acontece o AVC isquêmico, responsável por cerca de 80% a 85% dos casos.
E os fatores de risco são conhecidos, mas continuam presentes na rotina de muita gente. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e sedentarismo seguem como os principais vilões. O envelhecimento também pesa, mas especialistas alertam que o problema tem aparecido cada vez mais cedo.
Outro ponto que chama atenção é que nem sempre o tamanho da obstrução é o que mais importa Algumas placas são mais instáveis, inflamadas e com maior chance de se romper, aumentando o risco de formação de coágulos e, consequentemente, de um AVC. A boa notícia é que a medicina avançou. Hoje, exames como o ultrassom Doppler conseguem identificar alterações com mais precisão. Além disso, tratamentos menos invasivos, como técnicas endovasculares, permitem uma recuperação mais rápida e segura.
Mesmo assim, o maior desafio ainda é descobrir a doença antes que ela se manifeste. Como o problema pode ficar anos sem sintomas, muitos pacientes só procuram ajuda quando surgem sinais como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou episódios rápidos de perda de força e visão.
E aí, muitas vezes, já é tarde.
A recomendação dos especialistas é clara: cuidar da saúde vascular precisa entrar na rotina. Controlar pressão, diabetes e colesterol, evitar o cigarro, manter uma alimentação equilibrada e fazer acompanhamento médico regular pode ser o que separa um susto de um AVC.
Texto por: Dr. Edwaldo Joviliano