Excesso de peso pode sobrecarregar a vesícula
- Redação Saúde Minuto
- 26/05/2026
- Bariátrica Saúde
Excesso de peso, enjoo e boca amarga depois das refeições? Sua vesícula pode estar pedindo socorro.” A relação entre obesidade e pedras na vesícula, os chamados cálculos biliares, é mais comum do que muita gente imagina e vem preocupando especialistas.
Segundo o cirurgião bariátrico Dr. José Afonso Sallet, o excesso de gordura corporal pode aumentar significativamente o risco de desenvolver problemas na vesícula biliar, órgão responsável por armazenar a bile usada na digestão das gorduras.
“As pessoas ainda associam a obesidade apenas à estética, mas ela está diretamente ligada ao surgimento de diversas doenças, incluindo os cálculos biliares”, explica o médico.
As famosas “pedras na vesícula” são depósitos sólidos que podem provocar dores intensas, inflamações, náuseas e desconfortos principalmente após refeições mais gordurosas. Em alguns casos, o problema pode evoluir para complicações mais sérias e exigir cirurgia.
E não é raro.
Estudos apontam que a doença da vesícula biliar afeta entre 10% e 20% da população mundial, mas o risco aumenta bastante em pessoas com sobrepeso e obesidade.
O motivo envolve uma combinação de fatores. O excesso de peso altera o metabolismo, interfere na composição da bile e favorece a formação dos cálculos. Colesterol alto, resistência à insulina e gordura abdominal também entram nessa conta.
Além disso, hábitos cada vez mais comuns da rotina moderna ajudam a piorar o cenário.
“Uma rotina marcada pelo sedentarismo e pelo excesso de alimentos ultraprocessados favorece não apenas o ganho de peso, mas também o aparecimento de doenças associadas”, afirma Dr. Sallet.
Outro ponto que chama atenção dos especialistas é o crescimento da obesidade entre jovens e adolescentes, além do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento sem acompanhamento médico.
Isso porque até a perda de peso muito rápida pode desencadear alterações na bile e aumentar o risco de pedras na vesícula.
“Estamos vivendo uma época em que muitas pessoas buscam soluções rápidas para emagrecer. Mas saúde exige acompanhamento, individualização e responsabilidade”, alerta o cirurgião bariátrico.
Para avaliar os níveis de sobrepeso e obesidade, o Índice de Massa Corporal (IMC) continua sendo uma das principais ferramentas utilizadas pelos médicos:
- abaixo de 18,5: abaixo do peso
• entre 18,5 e 24,9: peso considerado normal
• entre 25 e 29,9: sobrepeso
• acima de 30: obesidade
Mas o especialista reforça que nenhum número deve ser analisado isoladamente. Hábitos de vida, histórico clínico e composição corporal também fazem diferença na avaliação.
E fica o alerta: aquela sensação frequente de estômago pesado, enjoo ou boca amarga depois de comer pode não ser apenas má digestão. Em alguns casos, pode ser a vesícula tentando chamar atenção.
Texto por: Dr. José Afonso Sallet