Ele volta. Mas estará no modo Neymar?
- Nicolle Morrér
- 19/06/2026
- Futebol Saúde
A contagem já chega a 33 dias. Enquanto a Seleção Brasileira se aproxima de um dos momentos decisivos da Copa do Mundo de 2026, Neymar trava uma batalha particular longe dos gramados. Recuperando-se de uma lesão muscular na panturrilha direita, o camisa 10 vive uma corrida contra o tempo para voltar a jogar. A expectativa é que o craque esteja à disposição para o confronto contra a Escócia, possibilidade que tem mobilizado torcedores e aumentado a ansiedade em torno de seu retorno.
Mais do que recuperar uma lesão, Neymar busca estar presente em um dos momentos mais marcantes de sua carreira. Em uma trajetória marcada por talento, títulos e também por lesões, o atacante tenta voltar a tempo de ajudar a Seleção nos momentos decisivos de um Mundial que pode representar um dos capítulos mais simbólicos de sua história com a camisa amarela.
Segundo o ortopedista e especialista em medicina esportiva, Dr. Rodrigo Martinez, embora a evolução seja considerada positiva, a recuperação exige cautela para que o retorno aconteça de forma segura e sem aumentar o risco de novas lesões.
O que aconteceu com Neymar?
Segundo Dr. Rodrigo Martinez, Neymar sofreu uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita, caracterizada por uma ruptura parcial das fibras musculares.
“Não é uma lesão leve, mas também não é uma ruptura total. Ainda assim, exige algumas semanas de recuperação antes que o atleta possa retornar com segurança às competições”, explica.
O problema compromete movimentos fundamentais para um jogador de futebol, como arrancadas, mudanças bruscas de direção e explosões musculares.
Escócia pode marcar o retorno do camisa 10
Sem uma data oficial definida, o confronto contra a Escócia aparece como uma possibilidade real para o retorno do atacante.
De acordo com o especialista, Neymar já voltou aos trabalhos em campo e está na reta final da reabilitação, mas a decisão depende da resposta do atleta aos treinamentos de alta intensidade nos próximos dias.
“Retornar ao campo é um marco importante porque demonstra que o músculo já suporta cargas mais elevadas de esforço. Mas isso não significa que o jogador esteja automaticamente liberado para disputar uma partida”, afirma.
Recuperação vai além da lesão
Embora a atenção esteja voltada para a panturrilha, a recuperação envolve muito mais do que a cicatrização do músculo lesionado.
Após semanas afastado, Neymar precisa recuperar aspectos fundamentais para a competição em alto nível, como explosão muscular, aceleração, resistência e confiança nos movimentos.
“Muitas vezes o atleta volta a correr e treinar antes de estar apto para suportar as exigências de um jogo oficial. A ausência de dor é importante, mas não é o único critério para o retorno”, destaca o especialista.
Histórico de lesões exige cautela no retorno
Além da lesão atual, outro fator que pesa na decisão sobre o retorno é o histórico recente de problemas físicos do jogador. Nos últimos anos, Neymar acumulou lesões musculares e ligamentares que interromperam sua sequência dentro de campo, o que faz a equipe médica adotar uma postura ainda mais cuidadosa.
Segundo o Dr. Rodrigo Martinez, uma lesão anterior é um dos principais fatores de risco para novas ocorrências, especialmente quando o atleta retorna antes de estar completamente recuperado.”Uma lesão prévia é um dos principais fatores de risco para uma nova lesão. Por isso, o objetivo não é apenas colocá-lo em campo rapidamente, mas garantir que ele consiga permanecer jogando sem novas interrupções”, afirma.
A pressão por um retorno rápido é compreensível quando se trata de um dos principais jogadores da Seleção. No entanto, antecipar esse processo pode trazer consequências importantes.
“O principal risco é a recidiva da lesão, ou seja, uma nova ruptura muscular antes da recuperação completa. Quando isso acontece, a segunda lesão costuma ser mais grave e pode resultar em um período de afastamento ainda maior”, alerta o médico.
Por isso, a medicina esportiva moderna prioriza o chamado retorno seguro ao esporte, baseado em testes físicos e funcionais específicos para cada atleta.
Ritmo de jogo é o maior desafio
Apesar dos 33 dias sem disputar partidas, Neymar não ficou completamente parado. Durante a recuperação, o jogador manteve trabalhos de fortalecimento muscular e condicionamento físico supervisionados.
Segundo Dr. Rodrigo Martinez, o maior impacto costuma acontecer no ritmo de jogo.”Nenhum treinamento consegue reproduzir exatamente a intensidade de uma partida oficial. O atleta pode estar fisicamente preparado, mas ainda precisar recuperar tempo de reação, confiança e ritmo competitivo.”
Mais importante do que voltar é permanecer
A expectativa dos torcedores é grande para ver Neymar novamente em campo. Seja contra a Escócia ou em uma fase posterior da competição, especialistas reforçam que o sucesso da recuperação não será medido apenas pela data do retorno.
“Hoje, o sucesso da recuperação não é medido pelo dia em que o atleta volta a jogar, mas pela capacidade de permanecer em campo e seguir competindo em alto nível ao longo da temporada”, conclui o Dr. Rodrigo Martinez.
Texto por: Nicolle Morrér