Hérnia de disco afeta milhões de brasileiros e pode causar dor, formigamento e perda de força. Saiba reconhecer os sinais
- Redação Saúde Minuto
- 18/08/2026
- Saúde
Dor persistente nas costas, formigamento e perda de força podem indicar hérnia de disco
A dor nas costas já faz parte da rotina de milhões de brasileiros, mas, quando deixa de ser um incômodo passageiro e passa a limitar atividades simples do dia a dia, pode indicar um problema mais sério. A hérnia de disco, por exemplo, está entre as principais causas de afastamento do trabalho no país. Somente em 2025, mais de 208 mil benefícios por incapacidade temporária foram concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em decorrência dessas condições, refletindo o impacto da doença na saúde e na produtividade das pessoas.
O problema acomete cerca de 5 milhões de brasileiros e é mais frequente em pessoas entre 30 e 60 anos. “Em muitos casos, a hérnia de disco está relacionada à predisposição genética, mas fatores como sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, movimentos repetitivos e longos períodos sentado também aumentam o risco de desenvolver a doença”, explica o Dr. Luciano Miller, ortopedista e cirurgião de coluna do Einstein Hospital Israelita.
A hérnia de disco ocorre quando um dos discos localizados entre as vértebras da coluna sofre desgaste ou se rompe, podendo comprimir os nervos e provocar dor e outros sintomas. Essa compressão pode causar dor intensa e sintomas neurológicos que comprometem significativamente a qualidade de vida.
Sintomas e diagnóstico
Entre os principais sintomas estão dor lombar ou cervical persistente, dor que irradia para os braços ou pernas, formigamento, dormência, perda de força muscular, sensação de choque ou queimação e dificuldade para caminhar ou realizar movimentos simples.
O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica e do exame físico. Quando necessário, exames de imagem, especialmente a ressonância magnética, ajudam a confirmar a presença da hérnia e a identificar sua localização e a gravidade.
Cirurgia é necessária apenas em casos específicos
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a cirurgia representa uma parcela pequena dos tratamentos. “A maioria dos pacientes apresenta boa evolução com medicamentos, fisioterapia, fortalecimento muscular, reabilitação e mudanças de hábitos. A cirurgia costuma ser indicada apenas quando há perda importante de força, alterações neurológicas, dor incapacitante que não melhora com o tratamento conservador ou em situações de emergência”, explica o Dr. Luciano Miller.
Quando bem indicada, a cirurgia tem como objetivo aliviar a compressão dos nervos, controlar a dor e devolver qualidade de vida ao paciente.
Mitos ainda dificultam o tratamento
A desinformação continua sendo uma das principais dificuldades para o diagnóstico precoce. Entre os equívocos mais comuns está a crença de que toda hérnia de disco exige cirurgia ou de que pessoas com o diagnóstico precisam abandonar definitivamente a prática de exercícios físicos.
“A atividade física orientada faz parte do tratamento e da prevenção, pois fortalece a musculatura responsável por estabilizar a coluna”, afirma o cirurgião de coluna.
Outro fato pouco conhecido é que nem toda hérnia de disco provoca sintomas. Algumas pessoas convivem com alterações nos discos intervertebrais sem apresentar dor ou qualquer limitação funcional.
Como proteger a coluna
Embora não seja possível evitar todos os casos, alguns hábitos podem ajudar a reduzir o risco da doença:
- Manter o peso corporal adequado;
- Praticar atividade física regularmente;
- Fortalecer a musculatura abdominal e das costas;
- Evitar permanecer muitas horas sentado sem fazer pausas;
- Adotar uma postura adequada durante o trabalho e as atividades diárias;
- Abandonar o tabagismo.
“O maior erro é considerar a dor como algo normal. Quanto mais cedo a hérnia de disco é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas, preservar a função da coluna e evitar tratamentos mais complexos”, conclui o Dr. Luciano Miller.
Texto por: Dr. Luciano Miller

