Uma ferida que não dói pode terminar em amputação: o perigo do pé diabético
- Redação Saúde Minuto
- 18/08/2026
- Saúde
Uma bolha, um pequeno corte ou até uma pedra dentro do sapato podem virar um problemão para quem tem diabetes. Especialista explica por que olhar para os pés todos os dias pode ajudar a evitar complicações graves.
Quem tem diabetes provavelmente já se acostumou a ouvir sobre glicemia, alimentação e medicamentos. Mas existe uma parte do corpo que também merece atenção diária e muitas vezes acaba esquecida: os pés.
O motivo é o chamado pé diabético, uma das complicações mais sérias da doença. Com o passar do tempo, o diabetes pode prejudicar os nervos e a circulação sanguínea, principalmente nas extremidades. A sensibilidade diminui, a cicatrização fica mais difícil e uma ferida aparentemente inofensiva pode evoluir sem que a pessoa perceba.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), entre 19% e 34% das pessoas com diabetes podem desenvolver uma úlcera nos pés ao longo da vida.
O perigo é justamente não sentir
Imagine passar o dia inteiro com uma pedrinha dentro do sapato sem perceber. Ou usar um calçado apertado, formar uma bolha e continuar caminhando normalmente porque ela simplesmente não dói.
É aí que mora o risco.
A perda de sensibilidade provocada pelo diabetes pode fazer com que cortes, bolhas, calos e outras pequenas lesões passem despercebidos. A pessoa continua apoiando o peso sobre aquela região e a ferida aumenta.
Quando o problema finalmente é descoberto, pode já existir uma infecção. Nos casos mais graves, ela consegue atingir tecidos profundos e até os ossos.
E uma lesão que começou pequena pode terminar em internação, cirurgia e até amputação.
O espelho pode virar um aliado
A boa notícia é que boa parte dessas complicações pode ser prevenida. E uma das medidas mais simples não exige tecnologia: olhar para os próprios pés todos os dias.
Vale procurar cortes, bolhas, rachaduras, vermelhidão, mudança de cor, inchaço ou qualquer ferida, mesmo que não exista dor. Para quem tem dificuldade de enxergar a sola do pé, um espelho pode ajudar.
Também é importante evitar andar descalço, manter a pele hidratada, escolher calçados adequados e procurar atendimento ao notar qualquer alteração.
O ortopedista entra antes da cirurgia
Muita gente só pensa no ortopedista quando existe uma fratura ou necessidade de cirurgia. No pé diabético, porém, sua atuação pode começar bem antes.
Segundo a ortopedista Dra. Bárbara Pupim, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Paraná (SBOT-PR), avaliar precocemente como o paciente pisa e caminha pode revelar problemas que aumentam o risco de feridas.
“O nosso papel começa na prevenção. Avaliamos a marcha, a distribuição das cargas nos pés, deformidades, alterações biomecânicas e a necessidade de palmilhas, órteses e calçados adequados. Quanto mais cedo o paciente é acompanhado, maiores são as chances de preservar a mobilidade e evitar complicações.”
Em algumas situações, procedimentos também podem corrigir deformidades que concentram pressão em determinadas regiões do pé e favorecem o aparecimento de lesões.
Quando já existem complicações, o ortopedista pode participar do tratamento de úlceras, infecções ósseas e deformidades, além de cirurgias, reconstruções e reabilitação.
Tem diabetes? Crie o hábito de olhar para os pés
O cuidado não precisa ser complicado. A Dra. Bárbara recomenda algumas atitudes simples: examinar os pés diariamente, manter a pele hidratada, usar calçados adequados, não andar descalço e procurar assistência diante de qualquer ferida.
“O tratamento começa muito antes da cirurgia. Ele começa com informação e prevenção.”
No fim das contas, o recado é simples: para quem tem diabetes, uma ferida que não dói não é necessariamente uma ferida sem importância.
Quanto mais cedo uma alteração for descoberta e tratada, maiores são as chances de evitar infecções, preservar os pés e continuar caminhando com independência.
Dra. Bárbara Pupim
Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Paraná (SBOT-PR)
CRM-PR 27.127 | TEOT 13.099 | RQE 16.882

